quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O TAL

Fotografia: Ivan Bueno
Às vezes o amor emburra,
Às vezes emburrece.
Às vezes acalenta,
Às vezes enfurece.

O amor é aquilo que bate
Junto com o coração,
Sem sê-lo e sem selo
De qualidade ou de garantia.

Amor é um não sei quê
Que não é paixão, mas pode contê-la.
Perigoso é confundir-se com ela.
Mingua-se à morte.

Amor é uma busca,
Uma realização não simples.
É necessária,
Patética, bela, quase otária.

Às vezes o amor clareia,
Às vezes escurece.
Às vezes acalenta,
Às vezes enfurece, amor.

Quando o amor emburra,
Vai sem olhar pra trás.
Bate a porta e sai.
Quando emburra, emburrece.

Ai, amor, ama, amor.
Ama e não emburra,
Que de emburrar se destrói,
Mas isso é pedir demais, amor.

Um comentário:

  1. E a natureza, representada pelas aves nesta foto, representam " O tal" amor emburrado.
    Perfeito em sua imperfeição!

    Ana Gi

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