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domingo, 2 de fevereiro de 2014

Entretantos

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre, RS
Entre tantos entretantos
Finalmente compreendi
A pausa, o silêncio
O suposto ponto final
Que não é o fim do autor
Nem sequer ausência de cor

Entretanto, entre tantos de nós
Reina ainda a ignorância
Prevalece a insana ganância
Do querer sem ser
Ou de ser sem querer
Nesses valores in versos

Fala gera intimidade
Silêncio comprova
Olhares que se trocam
Almas que se tocam
Antes de mãos e tais
Entre tantos sutis senões

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Goiânia I

No último dia 18 de outubro foi lançado no IHGG (Instituto Histórico e Geográfico de Goiás) o livro "Goiânia 80 Anos de Poesia" organizado por Ubirajara Galli e Elizabeth Caldeira Brito contando com obras de 80 poetas e escritores convidados em comemoração aos 80 anos do lançamento da pedra fundamental de Goiânia, que se deu em 24 de Outubro de 1933. A convite de Elizabeth em colaborei com a poesia Goiânia I, na página 66, que segue abaixo. Meus sinceros agradecimentos e meu desejo de que Goiânia se torne uma cidade melhor para todos.


Pintura: Amaury Menezes
Goiânia que me tem
Nas linhas e entrelinhas
Nas suas ruas confusas
Na falta de cultura
E na cultura desconhecida
E essa não falta, farta

Goiânia que me comemora
E me carrega nos sabores
Odores, sotaques e anacronismos
Corro atrás e
Corro adiante
Corro de e para Goiânia

Goiânia, amarela do pequi
Da faxina necessária
Goiânia que me dói nos ossos
Goiânia-eu, Goiânia-outubro
De origens recentes
Se irradia como pode adiante

Há uma da qual fujo
Há outra que embalo no sono
Há uma que enxoto
Há outra que acolho
Goiânia que sou e me tem

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Sa... ídas

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre/RS


Quando pensou
Ter encontrado saída
Caiu em si e
Perdeu-se no vácuo 

          Ivan Bueno


Eu também vivo assim:
caindo dos céus que crio
e em que "cri".
Sorte que além do céu,
tudo é ainda infinito. 

          Cássia Fernandes








Obs:
Parceria artístico poética entre Tonho Oliveira, que inicialmente criou a figura, eu e Cássia Fernandes, que "poetamos" inspirados pelo desenho.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Up

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre/RS






Se a vida é aleatória como um jogo de amerelinha, o céu é como um buraco onde a gente cai pra cima?

sábado, 19 de janeiro de 2013

Es.GOTA.mento

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre/RS




Eis que se liga a TV...
(a gente: TV sangrando).

Notícias secas sobre o esgotamento líquido do sangue de vidas ceifadas em overdoses diárias.







Obs.:
Este trabalho, em parceria com Tonho Oliveira, também se encontra publicado em seu blog Pô-ética. Confiram lá também.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Con... clave

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre/RS
Que é isso que me move
Som, tema, tom, nota
Se a pele está dormente
Se a alma está doente
Me move ainda o som
Nota-si

Me faz vibrar, me faz sentir
Como se não dormente
Como se nem doente
Sentindo movimento sem mover
Me move ainda o som
Nota-mi




Obs.:
Este poema também está publicado no blog Po-ética, de Tonho Oliveira. Confiram!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Isto é presente?

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre/RS
De massacre em massacre, e não só nos Estados Unidos, mas uma coisa já “internacionalizada” desde muitos milênios atrás,a maldade e o desequilíbrio esteve sempre presente na história da humanidade
e se faz sempre presente.
Nesta semana mais um massacre nos Estados Unidos,mas e os massacres “invisíveis” da ditadura do consumo, do comportamento, da política que nos assolam a todo momento?
E chega o natal e todo mundo fica meio que instantaneamente “incorporado” pelo espírito natalino, cristão, o que for, às vezes de forma absolutamente hipócrita.
Quem sofre carência de roupas e cobertores e até brinquedos, não têm essas carências só no natal, mas sempre. De que adianta, efetivamente, esses movimentos sazonais natalinos? Não resolvem, abrandam temporariamente.
Passado o natal vamos continuar tendo medo do pivete no semáforo, seja para pedir ajuda ou seja para assaltar. Na dúvida, passamos. Acabamos adotando também uma atitude defensiva, até compreensível.
E o que está por trás dessas diferenças sociais e culturais? Eu acho que especialmente é educação, conscientização em massa, permanente. Mas há quem ache que não podemos criticar os políticos, enquanto somos uma sociedade que joga papel no chão, suborna policiais, fura fila, fura sinal vermelho, estaciona em vagas proibidas etc. Será que não podemos fazer as duas coisas, ou seja, criticar a nós mesmos e os políticos e exigir de ambos?
Desejo ver as coisas melhorando e ver menos maniqueísmo nas atitudes e nos pensamentos. Menos guerrinhas partidárias, menos guerras religiosas, menos atitudes filantrópicas sazonais em contraponto às atitudes diárias, que quase ignoram os semelhantes... São semelhantes? Falo de forma geral.
Queria árvores mais naturais, menos triangulares, e que o número de cruzes por mortes injustificáveis fossem substituídos por rosas e tudo plantado na mesma terra. Terra cultivada, as árvores frutíferas crescem sadias, crescem naturalmente e todos podem ir à praça, sem que a praça seja o quintal privilegiado e restrito de ninguém.
É... meio utópico? Pode ser, mas em muitos países a violência já é algo bem mais controlado. Por que não aqui e ali? Por que não eu, tu, ele e ela, nós, vós, eles e elas pensando no futuro de nossos filhos e netos?


            Texto: Ivan Bueno
            Revisão (cortes, edições e adições): Tonho Oliveira

            Arte: Tonho Oliveira 

OBS:
Esta postagem pode ser vista aqui e no blog de Tonho Oliveira, 6vQcoisa. Visite também os blogs Po-ética e Arquitetonho.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

É o fim

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre/RS
- Faltam quantos dias pro mundo acabar?
- Trinta, né? Hoje é 21 de novembro.
- E vai começar a acabar no Japão primeiro e depois no Jalapão? Será que vão conseguir televisionar o início pra todos que estão com um fuso horário favorável, como nós?
- Pode ser, não sei.
- Jesus Cristo vai chegar antes?
- Quem?
- Jesus Cristo não vai voltar antes do fim do mundo? Onde ele vai chegar? Jesus vai nascer japonês?
- Não sei, será? Pode ser... japonês loiro, né? Barbudo, também, e de olhos claros, que é pra ficar bem coerente.
- E Neonoé já estará com a arca pronta até a data?
- Quem é Neonoé?
- Ai, que ignorância. O novo Noé, veio de Matrix, Neo-Noé, sacou?
- Ah, saquei, e ele vai nos libertar da Matrix?
- Não, só salvar um casal de cada animal. Mesmo esquemão.
- Todo e qualquer animal?
- Assim foi, assim será.
- Então, de humanos, ele só poderá levar a Trinity!
- É... pobre Jesus!
- Mas quem vai salvar, afinal, Jesus ou Neonoé?
- Se forem os dois o trabalho fica mais eficiente, não fica? Se fosse eu quem mandasse em tudo eu acionaria os dois.
- É... verdade... mas se eu fosse quem mandasse em tudo eu nem acabaria com o mundo. Estamos na era da reciclagem, eu arrumaria as coisas.
- Como?
- Sei lá, arrumaria, eu seria o todo poderoso, e todo poderoso que se preza arruma, não destrói nem deixa que destruam.
- É verdade...
- Será mesmo que vão conseguir televisionar o início do fim do mundo no Japão pra gente assistir? Nós, com fuso horário favorável?
- Não sei, ué! Fico com fuso, digo, confuso. Pode ser que sim.
- E o que você vai fazer depois do fim do mundo?
- Ah, estou pensando em férias. Mas antes tem natal, ano novo, daí em janeiro pegar uma praia. Vão tar muitas praias novas, ondas iradas.
- Puts, é mesmo, nem tinha pensado nisso! Irado! Vou comprar uma prancha nova.
- Você sabe surfar?
- Não, mas vou aprender. Neonoé não vai me convidar pra arca, mesmo.
- E desses animais que entrarão na arca, um casal de cada espécie animal, mesmo?
- É, exatamente assim.
- Isso inclui vírus, pulgas, carrapatos, mosquito da dengue?
- Ehhhhh... não sei.
- Se Neonoe e a Trinity, ainda que sem o Morpheu, deixarem esses animais pra traz eu prefiro.
- É, também, acho que sim, melhor.
- A água das novas praias vai ficar contaminada igual nas inundações comuns?
- E quem disse que vai acabar em água?
- Não?
- Não sei!
Foto: Jalapão (não Japão)
- Então porque estamos falando em arca e Neonoé?
- Ah, conjecturas, oras.
- Matrix 4?
- Pode ser que sim.
- Mas sem cinema, vai passar onde?
- No Neocinema, oras!
- Ah, é. Neoempresário neohollywoodiano. Amigo e protegido do cara lá de cima. Puts!
- Vamos sair pra olhar umas pranchas iradas?
- Bora!



Arte: 
Tonho Oliveira, mais uma vez colaborando aqui no Empirismo Vernacular. Vejam outras obras de Tonho nos blogs Pô-ética, 6vQcoisa e ArquiteTonho. Tonho é de Porto Alegre, RS.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Ode ao amor

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre

Entre seios,
Oh liberdade
Ata-me no ataque,
No ato desafiador

Pernas enlaçadas
Oh santidade
Ata-me em pecados
Ardamos em uníssono

Sois bela em pêlo
Sois bela em alma
Sois seio, alimento meu
Sois sol que ilumina

À noite, na penumbra
És luz que clareia a dor
Na cama, maciez
Pele que me prende alma

Desafios do amor
Toque que completa
Compreensão que cala
Silêncio que fala

Entre seios
Oh libertinagem
Atenhamos-nos no atar
Sem desafio e sem dor



Parceria poética:
primeira estrofe (dupla: uma na arte, outra no texto) por Tonho Oliveira
demais estrofes por Ivan Bueno

Também publicado no blog Po-Ética, de Tonho Oliveira. Vejam lá! 

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O homem ferido

O homem ferido anda,
anda devagar,
manca,
cambaleia,
às vezes chora.

O homem ferido tem
suas feridas expostas
sem a certeza
de que irão cicatrizar.

E tem também
as cicatrizes velhas,
altas e feias,
limitadoras de movimento.

O homem ferido caminha,
mas num ritmo
diferente e contido,
meio que aprisionado
no medo.

Medo de que
um movimento mais rápido
ou alguma ousadia
lhe tragam mais dor.

O homem ferido
caminha querendo se sentar...
Sentar-se e esperar
que a dor passe,
que as dores passem,
as do corpo e da alma.

Mas o homem não está ferido,
Não!, ele é ferido,
é ferida,
é dor,
é clamor.

O homem ferido
fita nos olhos
diretamente
como quem clama,
como quem chama.

O homem ferido
olha com a maturidade
do olhar de uma criança
recém descoberta
em meio a escombros.


          Pintura:
          O Homem Ferido, de Courbet, 1844

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Vítima

Hoje sua função é a de ir lá ao blog Vítima da Quinta e descobrir quem fui, digo, quem foi a vítima desta quinta-feira. Em cada quinta o Eduardo P. L. faz uma vítima. A ideia é de descobrir quem é o blogueiro vitimado da semana, mas sem revelar. Toda quinta, uma nova vítima. A próxima pode ser você. Cuidado!

Caricatura por:
Eduardo P. L.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Espionagem...

O olho penetra no buraco
fecha a duras penas
nas pernas pequenas
das meninas do meu adolescer,
ah! dói ser-me NINO.

          Observar curvas (re)buscadas
          descobrir carícias caríssimas
          até então, imaginação
          tudo num buraco: fechadura
          procura por ver mais a NINA.

          Destes meandros, sei-os...
          mas então só intuía
          em busca de descoberta
          ah, totalmente descoberta
          nua em pêlo, pelo mais

E pelo menos, pelo amor
dos meus apelos
desvirginando a inocência
desnudando segredos na decência
secreta no olhar dos pequenos,

          Mas todo pequeno cresce
          e não somente padece do desejo
          abre a porta, toca, desfruta, descobre
          desfaz-se dos pudores aos bons odores
          fechadura, aí, só pra viver o gozo.

Obs.:
Arte de Tonho Oliveira, do blog 6VqCoisa e Pô-ética. A ideia nasceu a partir de um comentário meu, feito lá no blog dele, numa postagem intitulada "DÊ ixe um título para o post...", vejam lá. Deixei lá meu comentário relatando travessuras da pré-adolescência e adolescência, das espionagens em fechaduras, e daí o Tonho fez outra arte (esta aqui deste post) e me mandou a primeira estrofe do poema, daí fiz duas, ele fez mais uma, daí fiz a última. Trocamos ideias, aparramos arestas, trabalho a quatro mãos, mesmo (e tudo por e-mail) e cá está o resultado.

     Poesia: Tonho Oliveira e Ivan Bueno   
     Arte: Tonho Oliveira

sábado, 22 de maio de 2010

Confronto

Sentado, caneta nas mãos
Dedos a sustentá-la
Idéias rotas
Eu roto

Sentado, papel branco à frente
Querendo saber de gente
Nada lhe informei
Maquiavélico

Sentado, contendo idéias
Retidas em cabeça oca
A vida me inquiriu
Não respondi

Sentado, inquiri a vida igual
Impávida, andou adiante
Soltou lá seu olhar
Distante, calada

Sentado, peguei o papel cá
Enchi-lhe de notas
Coisas rotas
Vida rota

De pé a vida inquiriu-me de lá
Avançou com força
Viu-se aqui posta
Sucumbiu
Obs.:
Foto retratando o movimento de uma dos atos do Ballet Triadico, de Oscar Schlemmer, tirada em 28/11/2008 no Centro Universitário Senac - Campus Santo Amaro, em São Paulo/SP. As vestimentas/figurinos usadas neste ballet tem como objetivo limitar os movimentos dos dançarinos (ao contrário do que se busca na dança, de forma geral), tendo como resultado algo extremamente interessante, original e inovador, além de desafiador para os dançarinos. Achei que ilustraria bem o poema.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Pedaços

Estou fr ag m em t ado
E em algo con... fundido
Estranhamente des... iludido
No meio de tudo
E estranhamente meio nada
[fechado]
Figura:
Oleo sobre tela de Moema Jonas Mobley

terça-feira, 23 de março de 2010

In verso

Ah, hoje não sai poema
Hoje não sai quase nada
Nem sob mira de força armada
Hoje poema é estratagema
De fuga
De gula
Engulo palavra sem dizer
Sem nem mesmo escrever
Hoje não to prosa
Hoje não to verso
Hoje to do avesso, to inverso

domingo, 7 de março de 2010

Olhar no espelho (reflexos)

Escrever é como se olhar no espelho,
Espelho mágico,
Que transforma as imagens
Em letras e palavras e frases,
Idéias postas, expostas,
Só em parte, pois quase tudo é metáfora,
Reflexo, reflexão pessoal, ideal
De quem vê, de quem lê,
Escolhe o que lê, entende ou não.
Imagens postas, visíveis...
Não só as que aparentamos
Na casca, superfície do nosso ser...
Talvez, e principalmente,
As que, às vezes, não sabemos aparentar.
Imagens codificadas, código mor,
Escondidas na clausura
Da alma de cada qual... Na alma, no fundo.
Escrever é, sim, catarse,
E o mundo todo é espelho, sim.
E nesse encontro das pessoas,
É espelho olhando espelho:
Encontro de vidas cortantes, quebradas,
Vendo-se vidro, atendo-se reflexo
Frente a frente ou de soslaio.
Depende da coragem de cada espelho-ser
Em se encarar refletido
Suportar a imagem do infinito repetido,
Reproduzindo a si mesmo nos demais
E aos demais em si mesmo.
Papel é espelho, caneta, interpretação,
Leitura é coragem, parte aceitação...
Pintura de: Artur Franco
Veja obras do artista em http://arturfranco1950.blogs.sapo.pt/2781.html?view=4829#t4829

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Naturalismo

Tenho alguns amigos que são vegetarianos, naturalistas: só comem peixe. Eu não sabia nem que peixe era vegetal e nem tampouco que vaca, porco, frango etc. são artificiais. Seres criados em laboratório! Deus do céu! Que mundo é esse? Na época do meu avô as vacas e galinhas eram naturais, agora são laboratoriais. Onde este mundo vai parar? Interessante esta minha descoberta. O que seria de mim sem estes amigos? Continuaria pensando que peixe é animal, por exemplo, e não é: é uma planta carnívora que nada e respira, afinal as plantas realmente respiram. Frutos do mar são o que? Frutas do mar? Deve ser. Adoro esses conceitos de vegetarianos e naturalistas. O cocô da vaca serve pra adubar a horta deles, mas a mesma vaca não pode ser comida. Interessante! Talvez um dia eu entenda isto. Dizem que comer carne vermelha nos deixa mais nervosos. E a vaca, coitada, tão mansa.
Piranha, animal voraz, pode, porque além de ser peixe, é vegetal, como já demonstrei. Os porcos também não são nervosos, só são barulhentos quando corremos atrás deles ou os pegamos. Atirem de longe e pronto, está resolvida a questão do barulho. E as galinhas, são calmas? Quando nos vêem ao seu encalço, não são. Há vegetarianos que comem carne de frango, também. Vai ver algumas são vegetais. E o vegetariano em sí, é humano ou vai se tornando vegetal, também? Até que eles fazem umas comidinhas gostosas, mas é pena que não usam picanha vegetal.

Pintura: Oil on Canvas by Moema Jonas Peres