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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

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Foto: Yves Amui






A vida enche meus olhos de lágrimas e minha boca de sorrisos, me faz cuspir gritos de alegria e horror, e vomitar coisas mal digeridas, perder o fôlego e depois respirar o ar mais puro que me cabe e que resta nesse mundo belo e feio, mas que ninguém quer largar. A vida me traz sabores e dissabores, mas com tempero tudo se cozinha e pode ficar melhor. A vida me faz crescer e eu faço a vida maior nesses passos e tropeços. Quero ficar mais firme e ereto, mais alegre e discreto neste vai e vem que nos apara arestas e nos abre frestas. Quero seguir.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Entretantos

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre, RS
Entre tantos entretantos
Finalmente compreendi
A pausa, o silêncio
O suposto ponto final
Que não é o fim do autor
Nem sequer ausência de cor

Entretanto, entre tantos de nós
Reina ainda a ignorância
Prevalece a insana ganância
Do querer sem ser
Ou de ser sem querer
Nesses valores in versos

Fala gera intimidade
Silêncio comprova
Olhares que se trocam
Almas que se tocam
Antes de mãos e tais
Entre tantos sutis senões

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Natai$

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre, RS
Iscas de cruz, credo 
A atrair a hipocrisia natalina 

Gente travestida de bem 
Em pele de consumismo 

Demonstração de “podere$” 
Incontido$ querere$ 

São as iscas de cruzes 
E deus me livre 

Que a hipocrisia é divina 
Ao menos aos que vendem 

Quiçá aos que compram 
Hipócritas sois vós

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Sa... ídas

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre/RS


Quando pensou
Ter encontrado saída
Caiu em si e
Perdeu-se no vácuo 

          Ivan Bueno


Eu também vivo assim:
caindo dos céus que crio
e em que "cri".
Sorte que além do céu,
tudo é ainda infinito. 

          Cássia Fernandes








Obs:
Parceria artístico poética entre Tonho Oliveira, que inicialmente criou a figura, eu e Cássia Fernandes, que "poetamos" inspirados pelo desenho.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Es.GOTA.mento

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre/RS




Eis que se liga a TV...
(a gente: TV sangrando).

Notícias secas sobre o esgotamento líquido do sangue de vidas ceifadas em overdoses diárias.







Obs.:
Este trabalho, em parceria com Tonho Oliveira, também se encontra publicado em seu blog Pô-ética. Confiram lá também.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Con... clave

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre/RS
Que é isso que me move
Som, tema, tom, nota
Se a pele está dormente
Se a alma está doente
Me move ainda o som
Nota-si

Me faz vibrar, me faz sentir
Como se não dormente
Como se nem doente
Sentindo movimento sem mover
Me move ainda o som
Nota-mi




Obs.:
Este poema também está publicado no blog Po-ética, de Tonho Oliveira. Confiram!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Escrita II

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre/RS





Percebi minha mão rodeada de noite, foi então que tomei uma caneta iluminada pra poder pintar estrelas.

(com a mão que tiver à mão)







Obs:
Este aforismo surgiu na sequência do anterior, assim "impensado", como uma consequência de antítese ou antídoto, também inspirado pela arte de Tonho Oliveira dos blogs 6vQcoisa, Po-ética e Arquitetonho
.

Escrita

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre/RS






Quis escrever uma página iluminada por estrelas, mas percebi minha mão carregada de noite.








Obs:
Este aforismo é o resultado de mais uma parceria com o artista de Porto Alegre, Tonho Oliveira. A postagem também pode ser vista no blog Po-ética.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Christ... mas?

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre/RS



Empacotar os conceitos do cristianismo em uma caixa de consumismo é algo que deveria ser enterrado, mas que a cada dia ganha mais força. Embrulharam a cruz, e Jesus está à venda na boca de pastores, padres e gurus que rogam pragas a quem não adorar o Senhor.





Obs.:
Esta postagem pode também ser vista no blog de Tonho Oliveira, 6vQcoisa, autor da arte que inspirou o texto que, enxugado, virou aforismo. Vejam lá também.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Isto é presente?

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre/RS
De massacre em massacre, e não só nos Estados Unidos, mas uma coisa já “internacionalizada” desde muitos milênios atrás,a maldade e o desequilíbrio esteve sempre presente na história da humanidade
e se faz sempre presente.
Nesta semana mais um massacre nos Estados Unidos,mas e os massacres “invisíveis” da ditadura do consumo, do comportamento, da política que nos assolam a todo momento?
E chega o natal e todo mundo fica meio que instantaneamente “incorporado” pelo espírito natalino, cristão, o que for, às vezes de forma absolutamente hipócrita.
Quem sofre carência de roupas e cobertores e até brinquedos, não têm essas carências só no natal, mas sempre. De que adianta, efetivamente, esses movimentos sazonais natalinos? Não resolvem, abrandam temporariamente.
Passado o natal vamos continuar tendo medo do pivete no semáforo, seja para pedir ajuda ou seja para assaltar. Na dúvida, passamos. Acabamos adotando também uma atitude defensiva, até compreensível.
E o que está por trás dessas diferenças sociais e culturais? Eu acho que especialmente é educação, conscientização em massa, permanente. Mas há quem ache que não podemos criticar os políticos, enquanto somos uma sociedade que joga papel no chão, suborna policiais, fura fila, fura sinal vermelho, estaciona em vagas proibidas etc. Será que não podemos fazer as duas coisas, ou seja, criticar a nós mesmos e os políticos e exigir de ambos?
Desejo ver as coisas melhorando e ver menos maniqueísmo nas atitudes e nos pensamentos. Menos guerrinhas partidárias, menos guerras religiosas, menos atitudes filantrópicas sazonais em contraponto às atitudes diárias, que quase ignoram os semelhantes... São semelhantes? Falo de forma geral.
Queria árvores mais naturais, menos triangulares, e que o número de cruzes por mortes injustificáveis fossem substituídos por rosas e tudo plantado na mesma terra. Terra cultivada, as árvores frutíferas crescem sadias, crescem naturalmente e todos podem ir à praça, sem que a praça seja o quintal privilegiado e restrito de ninguém.
É... meio utópico? Pode ser, mas em muitos países a violência já é algo bem mais controlado. Por que não aqui e ali? Por que não eu, tu, ele e ela, nós, vós, eles e elas pensando no futuro de nossos filhos e netos?


            Texto: Ivan Bueno
            Revisão (cortes, edições e adições): Tonho Oliveira

            Arte: Tonho Oliveira 

OBS:
Esta postagem pode ser vista aqui e no blog de Tonho Oliveira, 6vQcoisa. Visite também os blogs Po-ética e Arquitetonho.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Nazi

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre/RS







Me dá certa pena quando vejo pessoas dizerem - e com orgulho no peito - que seus animais têm pedigree. Parece uma coisa meio ariana, meio nazi, não sei.











Obs.:
Arte feita pelo artista gaúcho Tonho Oliveira especialmente para esta postagem, que aqui chega, como sempre, muito bem recebida. Conheçam o trabalho dele nos seus blogs 6vQcoisa, Pô-ética e Arquitetonho.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

É o fim

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre/RS
- Faltam quantos dias pro mundo acabar?
- Trinta, né? Hoje é 21 de novembro.
- E vai começar a acabar no Japão primeiro e depois no Jalapão? Será que vão conseguir televisionar o início pra todos que estão com um fuso horário favorável, como nós?
- Pode ser, não sei.
- Jesus Cristo vai chegar antes?
- Quem?
- Jesus Cristo não vai voltar antes do fim do mundo? Onde ele vai chegar? Jesus vai nascer japonês?
- Não sei, será? Pode ser... japonês loiro, né? Barbudo, também, e de olhos claros, que é pra ficar bem coerente.
- E Neonoé já estará com a arca pronta até a data?
- Quem é Neonoé?
- Ai, que ignorância. O novo Noé, veio de Matrix, Neo-Noé, sacou?
- Ah, saquei, e ele vai nos libertar da Matrix?
- Não, só salvar um casal de cada animal. Mesmo esquemão.
- Todo e qualquer animal?
- Assim foi, assim será.
- Então, de humanos, ele só poderá levar a Trinity!
- É... pobre Jesus!
- Mas quem vai salvar, afinal, Jesus ou Neonoé?
- Se forem os dois o trabalho fica mais eficiente, não fica? Se fosse eu quem mandasse em tudo eu acionaria os dois.
- É... verdade... mas se eu fosse quem mandasse em tudo eu nem acabaria com o mundo. Estamos na era da reciclagem, eu arrumaria as coisas.
- Como?
- Sei lá, arrumaria, eu seria o todo poderoso, e todo poderoso que se preza arruma, não destrói nem deixa que destruam.
- É verdade...
- Será mesmo que vão conseguir televisionar o início do fim do mundo no Japão pra gente assistir? Nós, com fuso horário favorável?
- Não sei, ué! Fico com fuso, digo, confuso. Pode ser que sim.
- E o que você vai fazer depois do fim do mundo?
- Ah, estou pensando em férias. Mas antes tem natal, ano novo, daí em janeiro pegar uma praia. Vão tar muitas praias novas, ondas iradas.
- Puts, é mesmo, nem tinha pensado nisso! Irado! Vou comprar uma prancha nova.
- Você sabe surfar?
- Não, mas vou aprender. Neonoé não vai me convidar pra arca, mesmo.
- E desses animais que entrarão na arca, um casal de cada espécie animal, mesmo?
- É, exatamente assim.
- Isso inclui vírus, pulgas, carrapatos, mosquito da dengue?
- Ehhhhh... não sei.
- Se Neonoe e a Trinity, ainda que sem o Morpheu, deixarem esses animais pra traz eu prefiro.
- É, também, acho que sim, melhor.
- A água das novas praias vai ficar contaminada igual nas inundações comuns?
- E quem disse que vai acabar em água?
- Não?
- Não sei!
Foto: Jalapão (não Japão)
- Então porque estamos falando em arca e Neonoé?
- Ah, conjecturas, oras.
- Matrix 4?
- Pode ser que sim.
- Mas sem cinema, vai passar onde?
- No Neocinema, oras!
- Ah, é. Neoempresário neohollywoodiano. Amigo e protegido do cara lá de cima. Puts!
- Vamos sair pra olhar umas pranchas iradas?
- Bora!



Arte: 
Tonho Oliveira, mais uma vez colaborando aqui no Empirismo Vernacular. Vejam outras obras de Tonho nos blogs Pô-ética, 6vQcoisa e ArquiteTonho. Tonho é de Porto Alegre, RS.