Desconheço teu rosto em face à face que me beija, sem língua a se intrometer, assim como desconheces minha face, sem língua a se intrometer. Há beijo, pouco tato no beijo, há pouco ranço, pouco hálito, pouca entrega, pouca coisa que se esfrega. Tudo meio incompleto. Rostos cobertos, a face do medo. E o que parece entrega é teatro, é cena, é figura, é arte da falta de vida. Desconhecemos nossos rostos internos e externos, assim como desconhecemos nossos ids, egos e superegos, que nos comandam eternamente por debaixo dos panos. Não nos conhecemos sequer minimamente e arrotamos arrogância mundo afora. Rostos cobertos, beijos vazios, mãos tateando temerosas no escuro.
Mostrando postagens com marcador Conto/Crônica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Conto/Crônica. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 13 de abril de 2016
terça-feira, 5 de abril de 2016
Desilusão...
Viagens alucinantes já não me fascinam mais, não no campo da suposta realidade. Tomaram seu lugar, definitivamente, na área da ficção científica e da diversão. Não espero magia da vida, ou espero pouca, sem ilusão, apenas com uma réstia de esperança semiperdida. Tudo que é zen demais, me irrita, cai no ilusionismo, no autoengano, na magia fácil, no engodo. Espero pouco das orações, mas as faço assim mesmo. Não acredito em deus, mas o invoco quase todo dia, assim como os santos e os que se foram pro outro lado. Só acredito na magia do que é corriqueiro e natural, ainda que possa, às vezes, ser raro. Não quero me alucinar, quero me apaziguar. Que os demônios vivos mantenham boa distância.
Marcadores:
Conto/Crônica,
Grito,
Ironia/Heresia,
Prosa
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Anfíbios
Mantinha-se na superfície por medo do mergulho. O corpo grande e belamente torneado não seria empecilho para ir e voltar, conhecer o profundo e respirar na superfície. Mas resistia, apesar da patente capacidade do mergulho. Somos anfíbios, afinal, mas muitos não se dão conta disso. Mamíferos? É um mero detalhe de nascença. Poderia aprofundar-se, descobrir e deixar-se descobrir raridade preciosa. Na superfície, pequenas marolas, turbulências falsas, aparências fúteis. No fundo, a riqueza real, a vida mesmo, a maior quantidade de seres profundos. Corre-se o risco dos afogados, sem dúvida, mas estes acabam por boiar. Resistia, ela, ainda assim. Nem a capacidade de reter o ar, nem o escafandro disponível a demoviam da superfície com facilidade. Ultimamente, no entanto, arriscava-se a enfiar a cara n’água pra olhar lá dentro.
Marcadores:
Advertência,
Conto/Crônica,
Prosa
domingo, 10 de maio de 2015
Os cantos daí...
![]() |
| Mimi e Tia Elza / 2006 |
Hoje, dia de mesa cheia, charuto, quibe, feijão árabe, mijadra e tantas conversas, risos e comemorações. Mas a mesa que estaria cheia, hoje está vazia, silenciosa. O vento sopra e balança as folhas de papel. Pode-se ouvir o barulho minúsculo das teclas do notebook, a respiração do cachorro que dorme no chão, da gata deitada no bicama, o cantar de um passarinho numa árvore, a voz de uma criança das redondezas e o silêncio do ar. Ouve-se o céu, ouve-se do céu. Daqui, não o mar, mas seriam belas ondas a entoar seus versos de marola. As nuvens passam esparsas nesse dia ensolarado e rememoramos você, vocês, mães nossas que já foram daqui praí, logo ali, dizem ser. O interfone não vai tocar e nem haverão mesas emendadas pra que todos se sentem. Os corações ainda vibram cheios de amor e batem compassadamente por vocês. Os pássaros cantam felizes e em uníssono aqui, ali, acolá e, é provável, até mesmo aí. Feliz, mãe... feliz, mães. Não se concentrem nas lágrimas que escorrem, mas no amor que se carrega na alma. Feliz dia, feliz dias...
Marcadores:
Conto/Crônica,
Homenagem,
Prosa
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Seguir
![]() |
| Foto: Yves Amui |
A vida enche meus olhos de lágrimas e minha boca de sorrisos, me faz cuspir gritos de alegria e horror, e vomitar coisas mal digeridas, perder o fôlego e depois respirar o ar mais puro que me cabe e que resta nesse mundo belo e feio, mas que ninguém quer largar. A vida me traz sabores e dissabores, mas com tempero tudo se cozinha e pode ficar melhor. A vida me faz crescer e eu faço a vida maior nesses passos e tropeços. Quero ficar mais firme e ereto, mais alegre e discreto neste vai e vem que nos apara arestas e nos abre frestas. Quero seguir.
Marcadores:
Conto/Crônica,
Parceria,
Prosa
sábado, 16 de agosto de 2014
Traços da solidão...
![]() |
| Arte: Sarolta Bán |
Somos uma sobra dum quadro pintado que caminha por um deserto habitado e desabitado. Somos várias pessoas-sombra que caminham sem tomarem conhecimento umas das outras. Em cada pintura egoísta só aparece um. Queixam-se da solidão e não se enxergam mutuamente. Caminham tão sem vida que nem sequer deixam rastros na areia. Caminham sós, lado a lado, mas sem companhia, rumo a um nada ou a um algo que desconhecem. O rumo traçado é falso e incerto e o que têm de concreto, ao alcance das mãos, é menosprezado. A pomba da paz tenta alertar para os atritos resultantes da solidão coletiva, do egoísmo e do egocentrismo, desse caminhar solitário em companhias aparentemente invisíveis, não vistas, mas nem é ouvida e apenas voa seu voo habitual e cata as migalhas deixadas pelo caminho pelos caminhantes por pura displicência consigo mesmos. A paleta de tinta e os pincéis foram deixados, abandonados, e tudo parece se resumir a um céu nublado, uma pessoa só e uma pomba à toa. E o pintor, por que nos abandonou? Ou fomos nós os pintores esquecidos que deixamos nossas paletas e pincéis para trás? Acho que sim, mas via de regra tendemos a culpar Outrem. É sempre mais cômodo um dedo além do que reconhecer-se responsável ou, no mínimo, corresponsável.
Marcadores:
Advertência,
Conto/Crônica,
Ironia/Heresia
domingo, 1 de dezembro de 2013
Lá vai
E lá vai ela se tornando dura, inflexível, julgadora feroz, selecionadora cheia de preconceitos travestidos de mente aberta, revolucionária. Lá vai ela com seu discurso contrário a ela mesma. Lá vai ela, toda toda, a contragosto se tornando uma cópia da própria mãe que tanto odeia. Lá vai, vai faceira, até encanta o povo, porque o engana, mas não a todos. Lá vai, até sorri, como também a mãe sorria. Lá vai, e uma hora despenca do precipício da solidão, quando a aldeia criada se desfizer. Lá vai, já começa a cair. Grita e pede socorro, mas nem sabe. Lá foi...
Marcadores:
Advertência,
Conto/Crônica,
Homenagem,
Ironia/Heresia
Chorando Chico...
Agora de manhã, enquanto meio dormia, meio acordava, escutava mestre Chico Buarque no fone de ouvido e meio que sonhava, meio que pensava, meio que não. O que não fazia ao meio, mas por inteiro, era chorar. Chorava de saudade, de nostalgia pelas letras, pelos cenários, pelas melodias e amores descritos. No fundo, chorava tudo por mim, que é sempre por isso que se chora. Chorava ao caminhar pelas praias e lugares belos por onde, em sonho, andava. Chorava pela emoção que via nas pessoas, chorava até mesmo sem saber por que, mas cheio de porquês internamente justificados. Traumas, agressões sofridas antes e agora, tapas da vida, tapas do caminho, coisa que todo mundo tem. Chorava as mazelas, as dores, os amores tidos e desejados, os não tidos, chorava também os amores vindouros e até os perdidos. Chorava a falta de amor! Chorava, enfim, por necessidade de chorar, por necessidade de extravasar, pôr pra fora o que transborda. E chorando acordei, me levantei e segui pelas paisagens reais, bem menos paradisíacas que no sonho meio acordado, cheias de praias, cavernas, capelas, gente bela, mas ainda cantarolando Chico e seus sambas melódicos, alegremente melancólicos. Chorava eu porque preciso chorar, transbordar pra não explodir de vez nesse cenário preto e branco, sombrio. A vida, ainda assim, é bela.
Marcadores:
Conto/Crônica,
Grito
Laranja fugídia
Tinha o cabelo meio pintado de laranja, laranja fugídia, seja lá que cor for essa, e se aproximou determinada a manter contato, mal sabendo que se aproximava de destroços de uma longa guerra de mais de quarenta anos e ainda não terminada. Disse olá e recebeu um olá temeroso e desajeitado de volta. Ele na verdade não sabia o que dizer. Sentiu-se encantado e atraído por ela e, como era seu usual, temeroso e amedrontado, quase fugindo dela. Tinha medo de quê? Ele sabia em parte que medos tinha, mas os principais medos por detrás dos medos que conhecia, ele desconhecia. E ela continuou puxando conversa. Ele respondia meio desajeitado, meio com jeito de que, em parte, já aprendeu a disfarçar o quão desmoronado está. “Sei de onde te conheço”, disse ela e mencionou um lugar. Não, não era de lá. Ele tinha ido lá pouquíssimas vezes e se lembraria dela, com certeza. Ele também sabia que estivera a seguindo com os olhos no café e que aquela era uma aproximação não casual, embora ela tenha puxado conversa no vagão do metrô, embora ela tenha se aproximado e ele, como usual, não sabido o que fazer ou dizer. Das poltronas da fileira da frente dele, onde ficara conversando com ele por uns dez minutos apoiada nos joelhos, pulou para a cadeira do lado dele. O vagão estava vazio e isto fazia da conversa algo bastante privativo, o que era bom, mas o assustava bastante. “Quer ir comigo à minha casa para ver o quadro de que te falei? Na verdade é uma gravura do quadro...”, e ele respondeu, sem pensar nas consequências, “Quero, claro”. E foram, mas aí ele já estava extremamente preocupado. E se ela quisesse transar e ele se demonstrasse, como sempre, inseguro e às vezes até impotente, por questões psicológicas do mesmo nível que derrubam uma pessoa que tenta se equilibrar em um muro de três metros de altura, mas que consegue andar por um muro idêntico se estiver a dez centímetros de altura. Era assim, estava sempre no muro a três metros de altura ou mais... Talvez pior, estava a dez metros de altura, cem, duzentos, mil, sei lá. O medo o dominava. Entrou na casa dela já tentando encontrar uma desculpa para ter que ir embora. “Não posso me demorar, tenho um trabalho a terminar hoje”, “Ok”, respondeu ela sem hesitar e foi fazer um chá aromático para eles, se justificando que não costumava ter café em casa e perguntando se ele queria com ou sem açúcar. “Sem açúcar”, respondeu ele e assim ela o acompanhou. Mostrou o quadro do pintor a quem havia se referido no trem, que era um pintor de rua que havia conseguido se projetar sem o menor esforço. Ele, a bem da verdade, não havia gostado muito do quadro, mas gostou um pouco. Era até interessante... ou o interessante era a parte que vinha pelo fato de o quadro ser dela? Bem poderia ser. “Interessante”, disse e pensou. Ela disse que aprendeu a fazer aquele chá no café em que trabalhara. “Ah...”, respondeu ele sem saber o que dizer. Sentia-se atraído por ela e, ao mesmo tempo, sem o menor tesão. Não por ela, sem o menor tesão por nada, sem libido, sem energia nenhuma. Já vinha vivendo assim desde... Quando? Mais fortemente havia quatro anos, sobrecarregado, esmagado, destruído. De forma gera, desde sempre. Nunca teve libido e energia, não de forma positiva. Sua energia vital era gasta com estresse, depressão, medos, medos, medos, ódio, rancores, angústias, pavores inomináveis. Como fazer alguém saber disso? Como fazer alguém gostar disso? E quando alguém gostava dele, era alguém com problemas sérios de autoestima, coisa especular, mas não espetacular. Mulheres que viam nele algo interessante, mas carentes demais, sugadoras demais da pouca energia que lhe sobrava. Ali era uma que ele ainda não sabia. Ela se interessara por ele, é certo, mas nem sonhava que tinha diante de si um amontoado de cacos que até podia se assemelhar a um harmonioso mosaico... ou um quebra-cabeças relativamente bem montado. Mas faltavam peças importantes que normalmente as pessoas nem notavam ou não sabiam da importância que tinham. Era como se fosse um quebra-cabeças panorâmico de Nova Yorque mostrando as torres gêmeas, tirada no exato instante dos ataques de 11 de setembro de 2001 e a peça faltante era a que continha o primeiro dos aviões que fizera desabar a torre norte. Pareceria uma simples foto de uma panorâmica de Nova Yorque tirada antes do ataque. Não era. Havia um desabamento ali na peça faltante. E ela continuava a falar com ele e para ele. Algumas coisas interessantes e de um jeito interessante, mas na maior parte do momento ele voava e flutuava seus pensamentos como se fosse um pássaro bêbado prestes a se esborrachar na primeira janela de vidro com a qual se deparasse sem saber que era uma janela de vidro. Pow!!! Podia ocorrer a qualquer hora. E ela falava lindamente e expunha seu jeito singular com seus cabelos laranja e sua inteligência e espontaneidade. Mostrou-lhe também músicas com gostos extremamente semelhantes, falava dos instrumentos com propriedade, embora leiga. Ele ia ficando cada vez mais encantado, hipnotizado e com medo. O que lhe impingia aquele medo? O que, em suas origens, em sua história de vida poderia justificar tal medo? Não sabia dizer. Conceitos religiosos, conceitos familiares, massacres sofridos? Não sabia, não sabia de nada, a não ser que o medo tomava conta dele de forma incontrolável, e quanto mais interessante lhe fosse uma mulher, maior a tendência de que fugisse. Ela foi, finalmente, preparar outra xícara de chá aromático para ambos enquanto deixou um CD do Branford Marsalis tocando... magnífico, com Kenny Kirkland no piano, Omar Hakin na bateria e Darryl Jones no baixo. A mesma banda que acompanhara Sting em sem álbum ao vivo, um de seus prediletos, Bring On The Night. Viajou ouvindo aquele jazz moderno e empolgante até que ela chegou com o chá aromático novamente. Olhou-a com admiração e pegou a xícara, mas tomou o chá o mais rápido que pôde, com ímpetos de fugir. Não fugiu. Ela disse que tinha que ir ao Centro e o chamou, ele disse que não podia, por causa do compromisso ou trabalho ou sabe lá o que havia dito que tinha que fazer. Despediram-se com um beijo no rosto, mas não trocaram telefone e nem sequer perguntaram seus nomes. Ela tomou um ônibus em uma direção e ele tomou o metrô em outra direção, voltando para sua casa sem vida. O nome dele era não-sei ou pouco-importa, o dela, para ele, ficou sendo Mme. Laranja Fugídia... Linda. Nunca mais a viu, embora tenha tentado encontrá-la no mesmo metrô, nos mesmos horários e até tenha passado na casa dela. Mas ela havia se mudado. Ele só descobriu seu nome, através do porteiro do prédio simples e descolado: Orange. “Nome estranho, né, dotô?”, inquiriu o porteiro de forma amigável e simplória. Tem tudo a ver. Orange fugiu com seu cabelo laranja pra sabe-se lá onde. Ele? Ele seguiu tentando fugir dos seus medos e tomando o mesmo metrô sempre que possível e procurando por um cabelo laranja que poderia estar de qualquer outra cor. Nunca encontrou... nunca encontrou nada.
Marcadores:
Conto/Crônica
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
A música
Escutei no rádio uma música antiga, daquela dos tempos em que a música tinha poderes sobrenaturais de entrar no corpo e na alma e arrepiar tudo, deixar marcas irremovíveis. Isso se prolonga pro resto da vida e, quando ouvida, ainda que décadas depois, traz de volta o momento, as pessoas, os lugares, o tempo e, junto, um aperto de saudade dentro do peito. Deixei a música ecoar e, embora tenha durado uns 3 minutos apenas, depois continuou a tocar dentro de mim, por tudo que ela tocou. Veio muita gente à vista, à memória, à saudade; vieram momentos dos feitos e não feitos, mas desejados; vieram tempos, eras, gentes idas e outras ainda presentes; vieram beijos, abraços e desejos. Tanta coisa uma música pode carregar, guardar, gravar em nós. Inevitavelmente vieram lágrimas e um misto de sorriso e choro, um misto de alegria e dor. É vida carregada pela música, pela memória, alimentando a alma.
Ouvi a música
O rádio se desligou
Notas ecoaram
Lágrimas e lembranças
Sorriso e dor
Gentes, amores
Idos e vindos
Na música, na alma
Na dor e na calma
Ouvi a música
Que me ouviu
Que me tocou, me toca
Ouvi a música
O rádio se desligou
Notas ecoaram
Lágrimas e lembranças
Sorriso e dor
Gentes, amores
Idos e vindos
Na música, na alma
Na dor e na calma
Ouvi a música
Que me ouviu
Que me tocou, me toca
Marcadores:
Conto/Crônica,
Poesia
domingo, 21 de abril de 2013
Vegana
Ela foi cada vez mais se inteirando sobre o mundo animal e a realidade do pensamento dos animais e, mais e mais, ficando sensibilizada. Primeiro as elementares descobertas sobre a inteligência de cachorros, gatos, golfinhos, baleias, bois, cavalos (vacas e éguas também), mas um dia foi crucial. Leu um artigo de um jornalista sobre um artigo científico onde se relatava a descoberta de que até mesmo animais como o polvo (não o povo, que nem sempre pensa) tinham consciência. Pronto, foi a gota d’água pra levar adiante não só a ideia de não comer carne, mas de, radicalmente, se tornar vegana. Trocou toda peça de bijuteria que tinha couro, trocou as pulseiras dos relógios dela e do marido e passaram a usar (a contragosto dele) somente sapatos sintéticos. De couro, nunca mais. Nada de origem animal! No começo ele ficou meio mal, adorava carne, adorava os relógios e os sapatos dos quais se desfez, mas, por amor a ela, cedeu. Comia uma quantidade enorme de proteína derivada da soja, saudável, transgênica, mas a transgenia não tinha consciência, então ok. Com essa postura dele ela foi passando a ver nele, o marido, um homem tão mais admirável do que sempre percebera que a relação, mesmo depois de mais de dez anos de casados, se aprofundou a tal nível que um parecia compreender o outro só pelo olhar e pelo pensamento. Momento mágico da relação, da renovação da relação... É o que se pensa. Nesta simbiose de pensamentos ela descobriu, para espanto próprio, que ele, o marido, não só pensava, mas assim como o polvo, o cachorro, o gato, a vaca, o boi, o cavalo e a égua, dentre outros, tinha consciência. A partir desta descoberta deixou de comê-lo. Foi o fim da relação mais perfeita de todos os tempos. Deprimido, ele saiu pra comer um hamburguer.
Marcadores:
Conto/Crônica,
Humor,
Ironia/Heresia
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Ácida de
Minha cidade é assim, tumultuada, nebulosa, cheia de tempestades e surpresas. Pode construir ou destruir. Cidade ácida, que desrespeita vontades individuais e faz da coletividade um amontoado de concreto.
Minha cidade é cheia de ruas e opções teóricas, é cheia de gente, cheia de ruas repletas de solidão e caminhos que serpenteiam a rumo nenhum. Ela não dá dicas, só confunde, e não é jamais conduzida e nem aponta o bom caminho. Os maus caminhos se encontra até sem querer.
Minha cidade é um tumulto de trânsito e buzinas que enchem a cabeça de sons, gritos e lamentos. Há também beleza na minha cidade, mas me parece pontual. A geral visão e vivência da cidade enche os olhos de desigualdades e revoltas. Minha cidade é grito de alerta, mas também pedido de socorro, pedido em código Morse. Ouve-se, mas poucos entendem o SOS e seguem como se nada tivessem a ver com aquilo, como se nem fizessem parte daquilo, como se também não fossem uma célula da cidade, um neurônio. E são!
Minha cidade é repleta de zumbis que não morreram. Diferentemente dos filmes, tentam aparentar inteligência, caminham normalmente e se fazem de normais. Devoram-se por outros meios, morrem de outras formas, aterrorizam com ares de trivialidade. Tudo pulsa, até em milhares de pulsos que vão se apagando, parando de pulsar.
Minha cidade é um amontoado de energia, causando choques mortais e desperdiçando seu potencial. Energia derramada como raios de tempestades, que queimam, derrubam, às vezes matam ou dilaceram. Minha cidade é a cidade-eu, é a cidade de todas as pessoas e tempos verbais: tu, ele, nós, vós, eles. Mas é também a cidade vista e invisível, que as pessoas veem mas passam adiante como se não vissem.
Minha cidade é cheia de ruas e opções teóricas, é cheia de gente, cheia de ruas repletas de solidão e caminhos que serpenteiam a rumo nenhum. Ela não dá dicas, só confunde, e não é jamais conduzida e nem aponta o bom caminho. Os maus caminhos se encontra até sem querer.
Minha cidade é um tumulto de trânsito e buzinas que enchem a cabeça de sons, gritos e lamentos. Há também beleza na minha cidade, mas me parece pontual. A geral visão e vivência da cidade enche os olhos de desigualdades e revoltas. Minha cidade é grito de alerta, mas também pedido de socorro, pedido em código Morse. Ouve-se, mas poucos entendem o SOS e seguem como se nada tivessem a ver com aquilo, como se nem fizessem parte daquilo, como se também não fossem uma célula da cidade, um neurônio. E são!
Minha cidade é repleta de zumbis que não morreram. Diferentemente dos filmes, tentam aparentar inteligência, caminham normalmente e se fazem de normais. Devoram-se por outros meios, morrem de outras formas, aterrorizam com ares de trivialidade. Tudo pulsa, até em milhares de pulsos que vão se apagando, parando de pulsar.
Minha cidade é um amontoado de energia, causando choques mortais e desperdiçando seu potencial. Energia derramada como raios de tempestades, que queimam, derrubam, às vezes matam ou dilaceram. Minha cidade é a cidade-eu, é a cidade de todas as pessoas e tempos verbais: tu, ele, nós, vós, eles. Mas é também a cidade vista e invisível, que as pessoas veem mas passam adiante como se não vissem.
Marcadores:
Conto/Crônica
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
A deus...
Têm certos apertos que nos vêm no peito, no coração da alma, que nos aflige e nos deixa imóveis e impotentes diante do que não podemos mudar. Nos últimos anos perdi uma tia querida, uma tia-avó querida, um primo-torto querido, dois primos jovens queridíssimos e tenho um outro primo sobrevivendo sem já não reagir a mais nada com esclerose múltipla. Na fila de partida há mais muitas tias e um tio e não posso, ninguém pode, fazer nada. Seja na morte natural ou nesses casos escabrosos que me levaram dois primos tão jovens: um a dois meses de completar 50 anos, o outro com 50 e poucos. Ficam lacunas, buracos que não se fecham, até mesmo na perda de tias que se foram pela idade. Mas a vida começou cedo a me mostrar que sua lógica não é tão confiável e, com 53 anos de idade, do meu lado, levou meu pai por parada cardíaca súbita decorrente de doença de chagas (que desconhecíamos). A vida é perdas. Poeticamente se fala muito em perdas e ganhos, mas a todo ganho sucede uma perda, portanto... Do nascimento em diante traçamos um caminho, seja ele qual for, rumo a um fim desconhecido. Feliz daquele que tem a morte tranquila, de preferência dormindo. Peço a deus que eu tenha uma morte assim e peço isto a deus por todos os meus. Todo mundo deveria merecer uma morte súbita, em sono, sem sofrimento e sem dor. Peço mesmo sendo um agnóstico, apenas peço como um desejo (e uma revolta) interno. E o peito apertado precisa seguir. Por que precisa seguir? Para onde precisa seguir? Pra que precisa seguir? Ninguém sabe. No fundo, tudo são conjecturas e teorias de vida eterna, propósito, convicções pessoais religiosas e/ou filosóficas... Tudo teorias, tudo incertezas, tudo medo, tudo – ao final – um aceno de adeus.
Marcadores:
Conto/Crônica,
Grito,
Ironia/Heresia
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Isto é presente?
![]() |
| Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre/RS |
De massacre em massacre, e não só nos Estados Unidos, mas uma coisa já “internacionalizada” desde muitos milênios atrás,a maldade e o desequilíbrio esteve sempre presente na história da humanidade
e se faz sempre presente.
Nesta semana mais um massacre nos Estados Unidos,mas e os massacres “invisíveis” da ditadura do consumo, do comportamento, da política que nos assolam a todo momento?
E chega o natal e todo mundo fica meio que instantaneamente “incorporado” pelo espírito natalino, cristão, o que for, às vezes de forma absolutamente hipócrita.
Quem sofre carência de roupas e cobertores e até brinquedos, não têm essas carências só no natal, mas sempre. De que adianta, efetivamente, esses movimentos sazonais natalinos? Não resolvem, abrandam temporariamente.
Passado o natal vamos continuar tendo medo do pivete no semáforo, seja para pedir ajuda ou seja para assaltar. Na dúvida, passamos. Acabamos adotando também uma atitude defensiva, até compreensível.
E o que está por trás dessas diferenças sociais e culturais? Eu acho que especialmente é educação, conscientização em massa, permanente. Mas há quem ache que não podemos criticar os políticos, enquanto somos uma sociedade que joga papel no chão, suborna policiais, fura fila, fura sinal vermelho, estaciona em vagas proibidas etc. Será que não podemos fazer as duas coisas, ou seja, criticar a nós mesmos e os políticos e exigir de ambos?
Desejo ver as coisas melhorando e ver menos maniqueísmo nas atitudes e nos pensamentos. Menos guerrinhas partidárias, menos guerras religiosas, menos atitudes filantrópicas sazonais em contraponto às atitudes diárias, que quase ignoram os semelhantes... São semelhantes? Falo de forma geral.
Desejo ver as coisas melhorando e ver menos maniqueísmo nas atitudes e nos pensamentos. Menos guerrinhas partidárias, menos guerras religiosas, menos atitudes filantrópicas sazonais em contraponto às atitudes diárias, que quase ignoram os semelhantes... São semelhantes? Falo de forma geral.
Queria árvores mais naturais, menos triangulares, e que o número de cruzes por mortes injustificáveis fossem substituídos por rosas e tudo plantado na mesma terra. Terra cultivada, as árvores frutíferas crescem sadias, crescem naturalmente e todos podem ir à praça, sem que a praça seja o quintal privilegiado e restrito de ninguém.
É... meio utópico? Pode ser, mas em muitos países a violência já é algo bem mais controlado. Por que não aqui e ali? Por que não eu, tu, ele e ela, nós, vós, eles e elas pensando no futuro de nossos filhos e netos?
Texto: Ivan Bueno
Revisão (cortes, edições e adições): Tonho Oliveira
Arte: Tonho Oliveira
OBS:
Esta postagem pode ser vista aqui e no blog de Tonho Oliveira, 6vQcoisa. Visite também os blogs Po-ética e Arquitetonho.
Revisão (cortes, edições e adições): Tonho Oliveira
Arte: Tonho Oliveira
OBS:
Esta postagem pode ser vista aqui e no blog de Tonho Oliveira, 6vQcoisa. Visite também os blogs Po-ética e Arquitetonho.
Marcadores:
Advertência,
Aqui e acolá,
Artes plásticas,
Conto/Crônica,
Ironia/Heresia,
Parceria,
Quatro mãos
domingo, 16 de dezembro de 2012
Oxalá!
Estava eu aqui rezando por você quando me dei conta de que sou agnóstico, de forma que pode ocorrer de também deus duvidar da minha existência e não querer me atender, pensando ser eu uma alucinação sua, alucinação divina! Será, pois, que todas as orações são assim como zumbidos que passam de um lado a outro pela cabeça de deus? Entram por uma orelha e saem por outra – e devem ser orelhas enormes – sem surtir praticamente efeito algum? Entram cheias e carregadas de esperanças e saem às vezes murchas e incrédulas diante da surdez ou do mutismo do ser a quem foram direcionadas. A questão é, meu caro amigo, que recebi notícias de que você estava melhorando, ainda que eu não tenha rezado a contento e que deus continue sendo esta incógnita idolatrada salve salve. Tomara que salve.
Marcadores:
Conto/Crônica,
Ironia/Heresia,
Prosa
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
País das maravilhas
![]() |
| Imagem: Disney - Cheshire, Alice in Wonderland |
A última me apareceu retornando de um passado recente de seis anos atrás, quando ela queria porque queria tomar outro rumo na vida e eu era a terceira prioridade, se não estivesse fora do pódio. Desta vez chegou e tocou no mesmo assunto, depois de ter saído do país, de ter ficado fora do estado e, só então no início deste ano, retornado à cidade. Me beirou pelas redes, e nem usou o nome verdadeiro, um apelido. Logo se sentiu em casa e se convidou pra trazer um bolo, tomar um café comigo. Rendeu o café, trouxe muito mais comida, dentre doces, salgados e metáforas. Planos de filhos e, no meio do caminho, uma suspeita de doença para a qual servi de apoio e ombro, seja fazendo rir, fazendo companhia ou simplesmente acolhendo o choro compreensível. Também no trabalho dela as coisas não andavam muito bem, e tudo ao mesmo tempo. Estávamos juntos, muito juntos. Passado um tempo, a suspeita da doença se foi, ela emagreceu, um novo emprego apareceu, e uma distância (uma estranha distância) apareceu junto. Ao mesmo tempo carecia de apoio a outra ponta, antes suporte. Nesta hora mostrou-se agressiva, arredia, foi se distanciando, mudando, e senti que, mais uma vez, estava deixando de ocupar posição de prioridade. Via-me escorregando do pódio de novo enquanto tentava pensar, como quem coloca uma relação em primeiro plano, com todas as variantes e problemas que circundam a vida de cada um. Cada um tinha seus sacos de areia a carregar, suas cruzes e responsabilidades. Mas isto não era impeditivo, era parte dos espinhos da roseira. Fiquei quieto como quem observa um evento que, esperava eu, passaria e a tempestade iria, os fantasmas internos de ambos se aquietariam nesse vai e vem que a vida nos trás, mas haveria seguimento. As ligações se tornaram mais escassas, o viver junto foi ficando distante, os planos não foram mais citados, ela continuava impaciente até com a própriaa respiração e só retornou mesmo uma mensagem em que eu disse sentir falta. Um telefonema frio e burocrático. Depois silêncio! Psiu... Nada perturbou o silêncio. Fui seguindo, até que a tecnologia da informação me surpreende. Ah, como é bela a tecnologia até pra mostrar quem se esconde! Numa manhã, aproximadamente três semanas depois de ouvir novas juras de amor eternas, um e-mail dela. Não tinha, dizia, como agradecer os bons momentos vividos, mas era hora de encarar os fatos e que sabíamos (sabíamos?) que não havia como continuar e que também não era hora (que hora?) de fazer tantos planos. Ela não aguentou me ver, mesmo, um eu que às vezes também precisa de apoio. Não conseguiu ver que o “país das maravilhas” tem espinhos e contratempos e personagens como o Chapeleiro Maluco, a Raínha Vermelha, e não só a Raínha Branca ou o Coelho Branco. É... não havia poções mágicas, era um “país das maravilhas” tão real quanto o da metáfora do livro Alice, de Lewis Carroll. Aliás, me tomou este livro emprestado, detestou e nem conseguiu chegar à metade, sumiu e não mais o devolveu. Incomodou-a bastante! Psiu... Silêncio. Tem gente que não consegue encarar o barulho natural do “país das maravilhas”. Nem cabem filosofias e pensamentos de um Cheshire aqui. O desaparecimento fala por si só. Sigo!
Marcadores:
Advertência,
Conto/Crônica,
Homenagem,
Ironia/Heresia
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Uivos belos
Sabe, com o passar dos anos tenho observado algo que parece que vai na contramão do que, especialmente no mundo masculino, se vê e se valoriza. O passar dos anos torna os seres mais belos! Vejo fotos de amigos e amigas de quando eram bem mais novos, às vezes pós adolescentes, e penso “quanta crueza neste rosto”. É claro que há ali uma beleza pela ânsia do que se tem por descobrir, a beleza está em todas as idades, mas exatamente em cima desta última frase que vem a reflexão. As mulheres com 40, 50 anos ou mais adquirem um jeito, um olhar, uma fala que colocam elas mesmas aos 25 anos no chinelo. Passam um quê de poder, real poder, não prepotência, que tem tudo a ver com a maturidade, a vivência, e isto é de uma sensualidade e de um poder de atração enormes. Nunca se pode generalizar tudo, nem é minha intensão com estes comentários rotular as pré-lobas, as lobas e as pós-lobas. Apenas verifico, em cada mulher madura, interna e externamente, o quanto os anos bem vividos e bem assumidos, sem as neuroses do excesso de “ter que fazer correções”, traz beleza. Sinto pena do homem que não consegue ver isto e só consegue ver o “frescor da juventude”, procurando uma juventude que nem tem mais. As mulheres amadurecem mais e melhor que os homens – sorte nossa, homens que sabemos ver isto! – e se tornam mais saborosas para o que for: uma amizade ou um relacionamento homem-mulher. E o melhor é que não há um limite para isto, basta saber envelhecer sem ter o envelhecimento, o sentimento dele, como algo pejorativo. É fantástico, lindo, transbordante de experiências expostas nos atos, na fala, no que cala e no que age. Salve as lobas... e de todas as idades.
Marcadores:
Conto/Crônica,
Homenagem
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Velha lacuna
Ainda com o tempo de tantos anos decorridos, o menino procura sua mão e tenta alcançá-la em algum lugar que não sabe onde. Hoje faria 93 anos o homem, mas há 40 anos já se foi. A orfandade vem e fica, imposta como tudo que a vida impõe, jamais democrática. A orfandade faz o órfão e assim este permanece com uma lacuna incomensurável, uma ausência jamais preenchida, um amor interrompido antes que se possa até mesmo compreender a morte, o que é, por que é. E ninguém sabe, só sabe que é um findar inevitável, aleatório, com poucas lógicas. Um adeus, um desaparecer eterno. Teorias em contrário impostas na cabeça da criança de 6 anos fizeram mais estragos do que se pode imaginar. E hoje à noite talvez pudesse ser mais uma noite de simples comemoração com café fresco e pão de queijo feito em casa, bem ao estilo de um mineiro apreciar as presenças. Mas não vai ter festa nem celebração, vai haver apenas memória, saudade e lacuna, que é assim que sempre foi. A lacuna se fez, e do menino fez lacuna a vida, os desejos, as conquistas, a degradação. O adeus é algo profundamente destruidor, e corrói, e marca, e destrói nesta corrosão eterna e irreversível. O raciocínio lógico jamais foi capaz de dirimir os estragos, por mais que se tenha tentado, por mais que se continue tentando. O menino continua só, desamparado, pedindo socorro sem que se ouça sua voz, seus gritos, sem que se vejam suas lágrimas, sem que o menino se descubra homem, pois permanece criança solitária com as pequenas mãos estendidas em espera das mãos do pai, que já não pode mais ouvir porque já não mais é nem pai nem nada, deixou de ser, foi a sete palmos. Ainda o menino vê o homem, o herói, desabando diante de si. Ainda o menino se vê, simultaneamente, desabando e se vê desabado, destruído. Ainda o menino se vê menino e não homem, a despeito do tamanho, da idade, do que for.
Marcadores:
Conto/Crônica,
Grito,
Homenagem,
Prosa
domingo, 28 de outubro de 2012
Cataratas
![]() |
| Foto: Jorge Alfar (site Olhares.com) |
Marcadores:
Conto/Crônica,
Grito,
Prosa
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Por tudo
Saiu de casa, viajou mundo, conheceu vários países e culturas, escalou montanhas, esquiou, brincou de neve, lutou pela defesa dos animais para ter status, foi a shows, fez comerciais, teatro e cinema, quase se tornou celebridade e daí se deu conta de que o tempo estava, ainda que não quisesse, passando assustadoramente rápido, num trote frenético, cavalgava.
E assustada, viu as pendências que tinha na vida, as atenções que não deu enquanto só vivia para si, sentiu um vazio imenso dentro dela, uma saudade gigantesca das pessoas de quem se afastou, dos lugares simples que não valorizou, mas aquela figura sombria vestida de preto foi se aproximando resoluta. Era tarde. Pereceu, sucumbiu nas mãos da morte que, esta sim, seguiu seu caminho certo de ir ceifando vidas por onde andava, e andava por todos os ondes.
E assustada, viu as pendências que tinha na vida, as atenções que não deu enquanto só vivia para si, sentiu um vazio imenso dentro dela, uma saudade gigantesca das pessoas de quem se afastou, dos lugares simples que não valorizou, mas aquela figura sombria vestida de preto foi se aproximando resoluta. Era tarde. Pereceu, sucumbiu nas mãos da morte que, esta sim, seguiu seu caminho certo de ir ceifando vidas por onde andava, e andava por todos os ondes.
Marcadores:
Advertência,
Conto/Crônica,
Prosa
Assinar:
Postagens (Atom)




.jpg)












.jpg)
