sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

WD

Passei tanto tempo vivo sem viver, que agora que estou meio morto quero virar zumbi.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Como a ti mesmo

Imagem: Internet
Quero o rastro
do mastro que ostenta a nau
ao navegar,

as velas que conduzem o barco
ao marco
do destino final, afinal é onde
se quer zarpar ao sair do mar,

descer na terra segura,
na secura,
segurança,
começar a andança,

adentrar a mata estreita
ao andar, coordenar os passos,
explorar o novo
sempre novo de novo,

quiça construir algo bom,
ser orientado pelo mestre amado
em cada ato, de fato,
do bom dia à meia-noite,

sem açoite,
em caritas constante no agir,
amando a quem quer que seja
como a si mesmo.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Oceano, ah mar...

Figura: o mar (internet)
Aguardo os rastros
que tua tez deixou
estampados na minha cútis,

aguardo o que ficou
de bom e útil,
só para trás deixar
as mágoas, que se esfacelam.

Aguardo você a me ligar
dizendo que me ama,
linda total,
que se quer comigo na cama,
que se quer comigo ao meu lado,
me chamando de tarado,

fazendo brincadeiras a dois,
comendo arroz, e depois?
Depois te quero nua, quero mais, 
e crua quero que me digas “sou tua”

e que se entregue a mim,
ao meu bem querer,
e que se esfregue em mim,
ao te tanto amar,
do tamanho do oceano,
desse mar... ah, mar.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Cabelos ao vento... Por onde?

Por onde anda você, e seu olhar?
Imagem: Internet
Por onde andam vocês?
Atônito me recordo do que foi bom
E da destruição,
Que ao final de tudo, é construção.

Por onde anda você, pra onde olha?
Por que está a andar assim?
Parece sem rumo, parece sem prumo,
Parece que parece, mas pouco é
Do que parece, apetece, o que?

Seu charme travestido em ira
Derruba por terra todo o sex appeal
E deixa à mostra um rosnado difícil
Que retém um grito de socorro
Que detém tanta energia, mas gasta erroneamente

Por onde anda você, e o que vê?
Por que anda você sem ver o que tem de ver?
Destruindo paredes e casas,
Arranhando mesas, quebrando as unhas
Num tique forte demais pra ser contido.

O vento sopra para todos, já o sabe?
Aspire o ar puro que te sopra, grata,
E expire, grata, tudo que tiver de sair pra purificar.
Caminhe ao vento forte como quem leva um banho
Do sopro da criaçõ divina, e vai.

Acariciado...

Imagem: paisagem qualquer (internet)

A carícia dos escassos ventos de Goiânia passam pela minha cabeça, meus cabelos, minha face, nuca e se faz sentir no corpo, apesar das vestes, como um carinho a me apaziguar. O Sol, de dia, e a Lua, à noite, parecem sorrir sempre, ainda quando o céu está nublado e chove torrencialmente, acalmando a terra sedenta que ecoa na nossa terra interna, nossas origens, igualmente sedentas. Deus parece estar de bom humor e se faz sentir no canto dos pássaros e em tudo que há. Não falo de um deus personificado, não o é, mas de tudo o que está além da nossa compreensão e que, por tal, é a causa primeira de tudo, até que se prove o contrário. Ando, como consequência, feliz e grato por tudo que a vida me deu, me dá e me dará, até o fim. Meus pulmõs estão plenos de oxigênio e alegria, meu coração sorri, meu corpo se deleita, minha alma brilha. O dia a dia tem sido um acúmulo de aprendizado e crescimento rumo ao infinito.

sábado, 1 de novembro de 2025

Dona Quixote

Imagem criada por I.A.
Don(a) Quixote

Entre o sim e o não,
Me dói o talvez
Que, sem saber se sim,
Correu pro não e se foi.

Se ao menos mostrasse
Um pouco só
De admiração explicitada
Por mim, ó pobre, (me faço dramático!)

Alguma admiração
Por coisas que gosto,
Por algo que ouço,
Crio, toco, leio, penso,
Escrevo e me expresso... 

E se ao menos houvesse paz,
Onde parece haver um espírito
Na defensiva, acuado
Pela vida que teve, é claro,
Mas que cultiva viva, e rega

Assim, ataca à toa,
Como se cão traiçoeiro,
Que sentindo-se acuado,
Morde, avança, destroça.
Tudo à ilusão da mente... 

Vê inimigos
Onde o que há, mesmo,
São possíveis amigos;
E se fecha em si,
E é tão linda, e nem sabe,
Da beleza que tem, dentro e fora,
Não acredita...

Nem confia, e nem desconfia
Que tem um anjo
Escondido por detrás 
Da armadura defensiva,
Da espada a atacar,
Da agressão, que de medo é...
Esse anjo-adormecido.

Não precisava temer nada,
Nem viver atormentada
Por teorias de conspiração,
Dum apocalipse em que crê, virá
E que nem ocorrerá,
A não por criação mental
De uma realidade machucada.

E eu a amava tanto, a queria tanto,
Que me dói a alma,
Que me ensopam de águas os olhos...
Mas aos socos desferidos,
Afastei-me, acuei-me eu

Diante das críticas,
Ironias, agressões,
Explícitas condições de não-convívio
Restritas condicionantes de convívio pouco
Onde se busca a paz, mas

Ancorada em guerra, sem paz.
Uma guerra que, a real,
Já se findou há eras,
Mas mantém-se aí, viva, a lutar
Com seus moinhos de vento

Quisera eu você descesse
De teu cavalo Rocinante,
Se despisse da armadura,
Expusesse a carne sofrida,
Se despedisse de Pança,
E esquecesse a "Dulcineia" que idolatra
Voltasse ao mundo real...
E a mim, seu Sancho da realidade
Que te aguardaria na paz.

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Silhoueta

Imagem: Internet

Ela dorme no quarto ao lado,
Nosso quarto, o quarto alado
Lá voo voos imensos, intensos, calorosos
Lá vejo a vida com sentido
E me sentindo bem
Ela dorme e acorda, eu acordo e durmo,
E acordamos, nos tocamos,
Pele linda, a pele dela
Tato volátil e intenso faz-se presente
Nas minhas mãos roçando
A sua pele com os dedos,
Com as unhas, com o ar arfando
Em seu pescoço,
Com a língua, com a pele na pele,
Farejando seu cheiro
Farejando por inteiro aquele corpo,
Aquela alma, linda e sensível,
Aqueles seios, aquelas pernas,
Aquela toda ela tendo todo eu.

sábado, 19 de julho de 2025

Blue eyes

Imagem: Internet
Uma beleza delicada, quase frágil,
numa fisionomia imponente, algo impotente,
olhos azuis e um sorriso bonito,
sedutor, cauteloso, amável e maroto. 

Uma conversa lenta e agitada,
uma noite animada, amada,
desejada. 

Uma aproximação lenta, tímida,
cuidadosa, mais madura,
mas não menos insegura de seus
atributos inúteis e outros também úteis.

Um diálogo há anos impensável,
mas agora possível.
A adolescência presente e adultizada
nas verbalizações do que se é,
do que se espera,
do que se faz,
do que ainda não.

Saguão de espera de novos capítulos,
saber quais serão os títulos
e funções, a extensão emocional,
a intimidade buscada e temida.

Mãos macias, belas bacias,
um olhar falante, quero ouvir mais e mais e mais,
para deglutir-te toda em corpo,
mente, espírito, nada à-toa.

Quero ser tido por ti,
quero te ter tida por mim,
quero coragem, quero amor,
quero crescer e fazer crescer,
pelo amor, não a paixão.
E então?

domingo, 13 de julho de 2025

Do que é pendular

Imagem: Pixabay

Nenhum extremo me agrada,
pois todo extremo agrava
a diferença entre os iguais,
o distanciamento dos próximos,
atos de hostilidade brutal
entre os ditos civilizados.

Nenhum extremo me agrada,
pois agride e desqualifica
o que pensa diferente,
o humano do ser,
que deveria ser humano,
pois fomenta, então, o ódio,
onde devería-se semear amor.

Nenhum extremo me agrada,
pois o extremo aplaude a guerra,
gera guerra entre pessoas,
inventa a guerra, toma um lado torto,
como torta é toda guerra,
numa Terra onde deveria reinar a paz.

Nenhum extremo me seduz,
pois os extremos são contra
o meio de onde vim,
o equilíbrio, a ideia de que,
em meio a um universo infinito,
tudo que há deve tender ao centro
e não ao fomento de um movimento 
pendular, um tormento.

Pois nenhum extremo me agrada, 
que se acha detentor da verdade,
da razão, da autoridade, e quanto ao outro,
o pinta de mentira, numa realidade
de falso 
e verdadeiro constante,
como se só houvessem anjos e demônios
onde os meios termos somos nós,
meio deuses, maio satãs,
totalmente humanos, é o que deveríamos ser.

Pois o pêndulo pende,
o pêndulo tende
a beirar a extremidade,
independente da idade,
desde que posto em movimento.
É preciso parar e pensar
como meio de encontrar
não os limites da imbecilidade,
mas as vastidões do que há
entre as ideias opostas.

terça-feira, 8 de julho de 2025

Do que é torto

Imagem: Internet
Nas igrejas se amontoam
gente toda a buscar obter
de graça toda a graça
que de graça não vem não.
Acho graça!

Amontoam-se joelhos, adorações tortas,
filhas mortas, filhos tortos, gritos,
mãos ao alto, é um assalto,
línguas estranhas, dor nas entranhas.

Se vê mais do diabo que de deus,
mais de tormentos, falcatruas,
do que fé bonita e crua.

Segue a regra de pregar que viver é conquistar
casa, carro, fortuna, sucesso, matéria, que miséria!,
pregações de iluminados sem luz,
sem nenhum respeito à cruz
de nosso senhor Jesus,

arrebatam multidões, com canhões, mentiras e rojões,
pregam o céu de dentro do inferno,
são mais próximos do tinhoso
do que do bom e carinhoso pai.
Ai ai...