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quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Dumb

LP Pink Floyd
Atom Heart Mother


Foram tão desprovidos de inteligência que passaram uma vida cantando Chico Buarque e outra vida ouvindo e viajando ao som de Pink Floyd sem nem sequer saber do que falavam. Agora defenestram as artes e aplaudem a escória do mundo .

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sons

Minha canção predileta é um conjunto tão extenso de canções que forma uma discografia completa, repleta de sons, estilos, vozes, instrumentos e momentos que me traduzem em partes.

sábado, 22 de maio de 2010

Bravo!

Justamente aquelas mãos mágicas!
Ostentava tantas notas rápidas e talentosas
Atentado, assalto, afronta.
Outras formas iria encontrar a tocar.

Contínuo e audaz fez-se novo,
Avançou contra todos os prognósticos dados,
Resolveu-se inteiro em parte.
Lastimou sem entregar-se, tocou o mundo.
Ovacionado, seguiu notado:
Sol, lá, si, ré, dó... tocou ainda mais, com dó, sem pena.

Metamorfose da superação,
Atentado da vida fez-se ver, mutilação da arte.
Restrito em movimentos, tocou,
Tateou o piano como possível, encheu-lhe de notas,
Invejou-se do impossível, fez-se único - o é! -
Navegou assim enquanto pôde, e mais metamorfose:
Suado, digno, agora rege e reage, sempre.

PS:
Salve João Carlos Martins, um dos maiores pianistas que o Brasil e o mundo conheceram, agora regente, impossibilitado de tocar piano por uma série de fatos que lhe tiraram os movimentos (primeiro da mão direita, depois da esquerda) e não mais o permitiram alcançar suas fabulosas 21 notas por segundo. Agora rege as notas todas, maestro, regente, extrapolou o piano, e emociona os bons ouvidos e almas com sua história peculiar, emocionante, de resolução e, claro, levando sua boa música onde puder. Há tempos queria escrever algo em homenagem ao João Carlos Martins, mas acho que por mais que o faça, nunca estará à altura da grandeza deste artista impar. Quis a vida fazer-lhe render-se e ele engrandeceu a música.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O rodopio de Carmen

Carmen passeava tranqüila e distraidamente pelo Leblon. Tinha ido ao Rio para visitar a filha, que ali reside, e passar lá o Carnaval, com direito a assistir ao desfile das escolas de samba do grupo especial na Marquês de Sapucaí. Merecidas férias. Em meio à distração do caminhar, se vê diante de seu ídolo maior, Chico Buarque de Holanda, em carne e osso e olhos azuis e fantasias mil. Ali, tangível, quase tangível, parecia até que ele era de verdade, um ser humano comum, não deificado, alguém com quem poderia conversar, trocar umas idéias, um cara qualquer (Chico, um cara qualquer... Sei...) que tinha saído daquela magnífica coleção de obras da música popular brasileira e obras literárias. Com uma agilidade mental impar, Carmen ensaia um tropeço "instantâneo" e um conseqüente desmaio a serem usados na hora H, de forma a cair bem diante do Chico, bem nos braços do Chico. Não contava ela com o fato de que ele, especificamente naquela manhã bela e ensolarada, tinha saído de casa pensando num samba novo, fresquinho, que estava compondo, e estava num estado de torpor criativo bem característico dos músicos e dos poetas. Atenção toda voltada para o samba e para o atravessar ruas, não tropeçar em buracos, nada além. Era a manhã do samba novo. Ah, e Carmen é poeta, deveria saber que isto ocorre às mentes criativas, mas naquele momento não era nada além de uma tiete discreta... Semi-discreta, para sermos mais justos. Chico continuou seu caminhar tranqüilo e com a mente no novo samba, ainda por ser finalizado, gravado e lançado, em pleno processo criativo. Carmen esperou alcançar a distância que imaginou ser a certa, previamente calculada, escolheu, dentre os tropeços, o que mais se adequava com a obra do mestre Chico, rodopiou e, em meio ao rodopio, revirou os olhos e os fechou. Sentiu, quase de imediato, e com o corpo num ângulo 45 graus com o solo, as mãos fortes que a seguravam... As mãos de Chico. Não abriu os olhos de imediato, pois queria desfrutar mais daquele momento, daquelas mãos. "Você está bem?", perguntou a voz de Chico que, para sua surpresa, lhe soou um pouco diferente e menos nasalada da que ouvia nos discos e nas entrevistas. Sem expressar reação, a pergunta se repetiu: "Você está bem? Hei, você está bem? O que houve?". Mais uns instantes de charme e olhos fechados e então decidiu abri-los, não sem antes ensaiar a cara de espanto preguiçoso e a frase de conquista do ídolo. "Você está bem? Responda, por favor!" e então ela decidiu, finalmente, abrir os olhos e encarar o ídolo. "Cadê o Chico?!", exclamou Carmen. Um belo rapaz bronzeado, a segurava nos braços, e era até mais bonito que Chico Buarque, mas "Cadê o Chico?", insistiu ela. "Que Chico?", respondeu o rapaz, surpreso e solícito. Carmen se recuperou de desmaio ensaiado com uma rapidez impar. Agradeceu ao rapaz enquanto já olhava ao redor procurando o vulto desejado. "Você está bem?", perguntou o rapaz e ela "Sim, sim.", apressadamente. Ah, lá ia ele uma quadra adiante, levando pães e um jornal a pensar no novo samba. Pelo menos resta a Carmen saber ter estado tão perto do ídolo e mais, num momento de composição. Disso ela ficou sabendo agora. Acho até que Carmen é daquelas mulheres discretas que, quando estão bem no meio de um show do Chico, não conseguem segurar um sonoro "Liiiiindooooooo!!!". Quase todas fazem isso e as que não fazem querem fazer. Deve ser mais ou menos o efeito que a Michelle Pfeiffer tem sobre mim. Ô mulher linda, deus do céu! Bem, aguardem pelo samba novo! Ah, e Chico é, sim, um cavalheiro. Teria acolhido Carmen nos braços, assim como fez com Cecília, Carolina, Beatriz e tantas outras mulheres, e a teria ajudado a retomar prumo, firmar-se nas pernas trêmulas e teria sorrido um sorriso tímido e discreto, mas estava em processo criativo, como já sabemos. A falha, de Carmen, não do Chico, foi no giro, no rodopio e no fechar os olhos, um pouco distante do músico e escritor. Carmen se refez emocionalmente e sabe que voltará ao Leblon. Novas chances! Enquanto isto vai ensaiando outros desmaios e rodopios sincronizados, como a bailarina que Chico cantou com Edu já fez. Eu, por mim, vou pra Nova Iorque tentar me rodopiar diante da Michelle Pfeiffer. Ah, Michelle, ma belle... seria eu teu herói e meu cavalo falaria Inglês. Não serias noiva de cowboy, nem terias de disputar com outras três. Enfrenteria batalhões, alemães, Holywood e seus canhões, guardaria meu bodoque e ensaiaria um roque para as matinês.

Fotos: Chico Buarque por Ana Rojas / Michelle Pfeiffer http://www.rankopedia.com/CandidatePix/1351.gif
Este conto-homenagem múltipla encontra-se também publicado no site Vidráguas (www.vidraguas.com.br), onde sempre se lê muita coisa interessante de autores de toda parte.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Roger Taylor - The Unblinking Eye (Everything Is Broken)


Apesar de não se tratar do Brasil, e este é um blog brasileiro, mais que tudo, além de nacionalismos e patriotismos, sempre tão limítrofes em suas linhas de raciocínio, sempre impondo limites xenofóbicos e "racistas" (que mais corretamente é dizer 'de cor'), esta música do Roger Taylor (baterista do Queen e multi-instrumentista) nos leva a pensar um pouco acerca da estupidez humana que promove "guerras santas" sem nenhum nexo para o mundo, e aí digo por mundo a população mundial, dizimando os mais fracos sempre com motivações financeiras, de poder e podridão.

God would weep if he existed
And he saw what man can do to man
He'd think that we were twisted
His unblinking eye would blink and then
He'd say not in my name you don't
You stupid little men
With your arrogance and ignorance
You'll do it time and time again

And I, I must be getting old
There's fire and fury driven deep into my soul
It's the helplessness that comes from being under your control
And everything is broken

We've got a high street full of holes
The hight street's full of holes

Five million cameras stare at us
You treat us like we're fools
Our privacy is meaningless
We're suffocated by ten thousand rules
And this kingdom's not united
Just a complicated mess
Are we in Europe? Half in Europe? Not in Europe?
We're soulless, spineless, directionless

Why send our young men out to die
In wars that we don't understand?
And why on earth should we medaling in places like
Afghanistan? The price is much too high
In terms of money or our precious men
Your reasons are mysterious
And quitte beyond our ken

And I, I must be getting old
There's a fire and a fury driven deep into my soul
It's the helplessness that comes,
You even sold our gold
And everything is broken...