segunda-feira, 24 de agosto de 2026

RESTOS DE RESTOS... E NADA

Imagem: Internet

Do vinho que tomava 
Sobrou um resto ao fundo da taça
Não percebi
Deixei de lado, segui

Segui trilhas, viagens, caminhos
Andei longe, andei perto
Mantive as raízes bem cuidadas
E a fotossíntese se deu ali

Achei que queria rever, reviver,
Achei que o passado seria presente,
Continuei, entretanto, nas trilhas
E viagens e vivências em si

Quando a sede de vinho voltou
Vinho não tinha mais
Questionei-me da taça deixada
Era então secura e nada





            Obs.:
            Retomada e revisão/ampliação do poema RESTO E NADA, publicado em 11 de julho de 2010.

terça-feira, 24 de março de 2026

Não sei...

Imagem: Internet
Não sei chorar baixinho.
Meu choro é grito, protesto, soluço.
É choro forte,
por isso, talvez, o conhenha,
por não saber chorar baixinho.
Quando sai, sai grito, sai urro,
sai tanta dor que me parece
desvanecer qualquer cor.
As lágrimas não escorrem,
não com suavidade. Não é choro manso,
nem tampouco resignado,
antes revoltado;
protesto que atesto
de tanta coisa que contesto
nesse contexto de mundo,
nesse contexto de vida,
nesse contexto de ser... E ser o quê?
Com tantas exigências,
contendo e retendo carências...
Ser o quê?
O que o mundo, com sua podridão, espera?
O que a vida, ilógica, nos impõe?
Não! Não sei.
Grito, clamo numa voz que ecoa
sem resposta,
e fico rouco ou, talvez, pouco,
e me calo, pois não sei
chorar baixinho.
Chorar sereno, não sei.
E calo, e vivo, e engulo,
mas a revolta é viva e o grito,
vez por outra, sai...
E sai também o suluço
com um choro sonoro,
forte, eloquente, de morte... Não! 
Isso é vida em crescer.

Ivan Bueno
11/09/2004 (00:18)

domingo, 22 de março de 2026

Inquietude...

Imagem: Internet

Há um algo em mim
que, em inquietude,
não me quer a dormir.

E há um outro algo em mim
que, se a dormir, faz-me,
do sono e do sonho,
não querer despertar,
não querer retornar.

Mas se, num lampejo, acordo,
ainda que com muito sono,
me obrigo, sem querer,
a me levantar, e agir,
e fazer coisas, viver...

de cá ou de lá,
e crescer.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Como a ti mesmo

Imagem: Internet
Quero o rastro
do mastro que ostenta a nau
ao navegar,

as velas que conduzem o barco
ao marco
do destino final, afinal é onde
se quer zarpar ao sair do mar,

descer na terra segura,
na secura,
segurança,
começar a andança,

adentrar a mata estreita
ao andar, coordenar os passos,
explorar o novo
sempre novo de novo,

quiça construir algo bom,
ser orientado pelo mestre amado
em cada ato, de fato,
do bom dia à meia-noite,

sem açoite,
em caritas constante no agir,
amando a quem quer que seja
como a si mesmo.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Oceano, ah mar...

Figura: o mar (internet)
Aguardo os rastros
que tua tez deixou
estampados na minha cútis,

aguardo o que ficou
de bom e útil,
só para trás deixar
as mágoas, que se esfacelam.

Aguardo você a me ligar
dizendo que me ama,
linda total,
que se quer comigo na cama,
que se quer comigo ao meu lado,
me chamando de tarado,

fazendo brincadeiras a dois,
comendo arroz, e depois?
Depois te quero nua, quero mais, 
e crua quero que me digas “sou tua”

e que se entregue a mim,
ao meu bem querer,
e que se esfregue em mim,
ao te tanto amar,
do tamanho do oceano,
desse mar... ah, mar.