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| Imagem: Internet |
Não sei chorar baixinho.
Meu choro é grito, protesto, soluço.
É choro forte,
por isso, talvez, o conhenha,
por não saber chorar baixinho.
Quando sai, sai grito, sai urro,
sai tanta dor que me parece
desvanecer qualquer cor.
As lágrimas não escorrem,
não com suavidade. Não é choro manso,
nem tampouco resignado,
antes revoltado;
protesto que atesto
de tanta coisa que contesto
nesse contexto de mundo,
nesse contexto de vida,
nesse contexto de ser... E ser o quê?
Com tantas exigências,
contendo e retendo carências...
Ser o quê?
O que o mundo, com sua podridão, espera?
O que a vida, ilógica, nos impõe?
Não! Não sei.
Grito, clamo numa voz que ecoa
sem resposta,
e fico rouco ou, talvez, pouco,
e me calo, pois não sei
chorar baixinho.
Chorar sereno, não sei.
E calo, e vivo, e engulo,
mas a revolta é viva e o grito,
vez por outra, sai...
E sai também o suluço
com um choro sonoro,
forte, eloquente, de morte... Não!
Isso é vida em crescer.
Ivan Bueno
11/09/2004 (00:18)

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