domingo, 16 de dezembro de 2012

Fora de mim...

Ando muito fora de mim. Não quero me deparar com meus miúdos, intestinos labirínticos, coração apertado e, sabe-se lá, uma alma a gritar!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Prazer


E que tua mão em voo leve
Como pássaro pouse em mim
E me ame e acaricie
Como se corpo todo fosse
Pois carrega a alma em cada célula

Universo de sensações
Águas que escoam monções
Rios que transbordam em sal
Lágrimas que restringem a visão
Aumentam a humanidade

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Nazi

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre/RS







Me dá certa pena quando vejo pessoas dizerem - e com orgulho no peito - que seus animais têm pedigree. Parece uma coisa meio ariana, meio nazi, não sei.











Obs.:
Arte feita pelo artista gaúcho Tonho Oliveira especialmente para esta postagem, que aqui chega, como sempre, muito bem recebida. Conheçam o trabalho dele nos seus blogs 6vQcoisa, Pô-ética e Arquitetonho.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Nem tudo

Não vi o sol nascer todos os dias, não vi todas as luas cheias, nem todos os eclipses, nem contei muitas estrelas assim, mas vi planetas no telescópio, vi os anéis de Saturno, três luas de Júpiter. Alguma coisa boa eu vi, outras um tanto assustadoras, mas, ao menos aparentemente, sobrevivi..

So(m)bras

Fotografia: Ivan Bueno
Engatinho dentro de mim
Descubro o encoberto
Por mim, de mim, para mim

Levanto e caio em mim
Chamo, grito pelo adulto-eu
Choro, esperneio criança

Tento ver o homem-eu
Num eu-criança
Que, criança, não foi vista

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

País das maravilhas

Imagem: Disney - Cheshire, Alice in Wonderland
A última me apareceu retornando de um passado recente de seis anos atrás, quando ela queria porque queria tomar outro rumo na vida e eu era a terceira prioridade, se não estivesse fora do pódio. Desta vez chegou e tocou no mesmo assunto, depois de ter saído do país, de ter ficado fora do estado e, só então no início deste ano, retornado à cidade. Me beirou pelas redes, e nem usou o nome verdadeiro, um apelido. Logo se sentiu em casa e se convidou pra trazer um bolo, tomar um café comigo. Rendeu o café, trouxe muito mais comida, dentre doces, salgados e metáforas. Planos de filhos e, no meio do caminho, uma suspeita de doença para a qual servi de apoio e ombro, seja fazendo rir, fazendo companhia ou simplesmente acolhendo o choro compreensível. Também no trabalho dela as coisas não andavam muito bem, e tudo ao mesmo tempo. Estávamos juntos, muito juntos. Passado um tempo, a suspeita da doença se foi, ela emagreceu, um novo emprego apareceu, e uma distância (uma estranha distância) apareceu junto. Ao mesmo tempo carecia de apoio a outra ponta, antes suporte. Nesta hora mostrou-se agressiva, arredia, foi se distanciando, mudando, e senti que, mais uma vez, estava deixando de ocupar posição de prioridade. Via-me escorregando do pódio de novo enquanto tentava pensar, como quem coloca uma relação em primeiro plano, com todas as variantes e problemas que circundam a vida de cada um. Cada um tinha seus sacos de areia a carregar, suas cruzes e responsabilidades. Mas isto não era impeditivo, era parte dos espinhos da roseira. Fiquei quieto como quem observa um evento que, esperava eu, passaria e a tempestade iria, os fantasmas internos de ambos se aquietariam nesse vai e vem que a vida nos trás, mas haveria seguimento. As ligações se tornaram mais escassas, o viver junto foi ficando distante, os planos não foram mais citados, ela continuava impaciente até com a própriaa respiração e só retornou mesmo uma mensagem em que eu disse sentir falta. Um telefonema frio e burocrático. Depois silêncio! Psiu... Nada perturbou o silêncio. Fui seguindo, até que a tecnologia da informação me surpreende. Ah, como é bela a tecnologia até pra mostrar quem se esconde! Numa manhã, aproximadamente três semanas depois de ouvir novas juras de amor eternas, um e-mail dela. Não tinha, dizia, como agradecer os bons momentos vividos, mas era hora de encarar os fatos e que sabíamos (sabíamos?) que não havia como continuar e que também não era hora (que hora?) de fazer tantos planos. Ela não aguentou me ver, mesmo, um eu que às vezes também precisa de apoio. Não conseguiu ver que o “país das maravilhas” tem espinhos e contratempos e personagens como o Chapeleiro Maluco, a Raínha Vermelha, e não só a Raínha Branca ou o Coelho Branco. É... não havia poções mágicas, era um “país das maravilhas” tão real quanto o da metáfora do livro Alice, de Lewis Carroll. Aliás, me tomou este livro emprestado, detestou e nem conseguiu chegar à metade, sumiu e não mais o devolveu. Incomodou-a bastante! Psiu... Silêncio. Tem gente que não consegue encarar o barulho natural do “país das maravilhas”. Nem cabem filosofias e pensamentos de um Cheshire aqui. O desaparecimento fala por si só. Sigo!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

In decência

Já me cansei de esperar pela decência e coerência de algumas pessoas. Isto nada tem a ver com idade ou educação, é algo muito mais profundo. Esperar honestidade e decência de todos é uma ilusão que não vale ser alimentada.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Uivos belos

Sabe, com o passar dos anos tenho observado algo que parece que vai na contramão do que, especialmente no mundo masculino, se vê e se valoriza. O passar dos anos torna os seres mais belos! Vejo fotos de amigos e amigas de quando eram bem mais novos, às vezes pós adolescentes, e penso “quanta crueza neste rosto”. É claro que há ali uma beleza pela ânsia do que se tem por descobrir, a beleza está em todas as idades, mas exatamente em cima desta última frase que vem a reflexão. As mulheres com 40, 50 anos ou mais adquirem um jeito, um olhar, uma fala que colocam elas mesmas aos 25 anos no chinelo. Passam um quê de poder, real poder, não prepotência, que tem tudo a ver com a maturidade, a vivência, e isto é de uma sensualidade e de um poder de atração enormes. Nunca se pode generalizar tudo, nem é minha intensão com estes comentários rotular as pré-lobas, as lobas e as pós-lobas. Apenas verifico, em cada mulher madura, interna e externamente, o quanto os anos bem vividos e bem assumidos, sem as neuroses do excesso de “ter que fazer correções”, traz beleza. Sinto pena do homem que não consegue ver isto e só consegue ver o “frescor da juventude”, procurando uma juventude que nem tem mais. As mulheres amadurecem mais e melhor que os homens – sorte nossa, homens que sabemos ver isto! – e se tornam mais saborosas para o que for: uma amizade ou um relacionamento homem-mulher. E o melhor é que não há um limite para isto, basta saber envelhecer sem ter o envelhecimento, o sentimento dele, como algo pejorativo. É fantástico, lindo, transbordante de experiências expostas nos atos, na fala, no que cala e no que age. Salve as lobas... e de todas as idades.

A falta

Fotografia: Ivan Bueno
Falta-me dizer o não dito
Falta-me dizer o já dito
Para ser ele compreendido
Para ser ele ouvido

Falta-me dizer o dizível
Falta-me dizer o indizível
Para ser ele ferida que amplia
Compreensão que sacia

Falta-me muita coisa fazer
Falta-me muita coisa deixar
Para ser o que não fui
Para não ser o que desgosto

Falta-me fazer o não feito
Falta-me desfazer o mal feito
Falta-me aceitar a imperfeição
E seguir, seguir, seguir

sábado, 1 de dezembro de 2012

Transitórios

Somos macroinsignificantes e, às vezes, microimportantes em algum contexto particular e transitório. Não passamos do transitório, a despeito do esforço filosófico em contrário. A eternidade é poética, e só o é graças à transitoriedade.