Todos querem se fazer salvadores. Uns de almas, outros de corpos, outros de gentes, outros de bichos, mas todos querem, e querem fazer disso sua santidade imaculada, normalmente hipócrita. O fanatismo só muda de nome e categoria, mas é o mesmo aqui e acolá.
Ao mesmo tempo que vem o amor
Vem o ódio
Ao mesmo tempo que vem o carinho
Vem a revolta
Ao mesmo tempo que vem o avanço
Vem a ré, volta
Vai e vem de sentimentos de alma, de vida
Ai de quem duvida
É mesmo assim, Vai e vem, vem e vai Atenção Atento a ação!
É a porta larga que me entala pela goela A abertura que me dizem por passar É a bigorna que me bate no dedão do pé A solução da botina que não entra
É deus no céu a cura dos males dessa terra Que me dizem que devo encontrar É uma igreja vagabunda, sorrateira e ladra Onde me dizem a palavra vislumbrar
É o caminho não trilhado, espinhoso e fatal A solução do que me dizem entender É a estrada tortuosa, demoníaca e tentadora Aquela mesma que me dizem encantar
Se o que gosto é pecado, engorda ou faz mal É o que dizem que eu devo evitar De restrições e castidades, santidades e véus Dizem viver os pseudossantos da cruz
Credo em cruzes, que nenhum pai é ruim assim Demonstram teses inconstantes a ruir E na ruina se embasam pra se dizerem rocha E desconhecem a interna xistosidade das almas
Ruem do que roem como se verdade fosse Sem a capacidade suprema de dizer não sei Desabam em lágrimas e apontam dedos Para culpados da desgraça humana e de deus