domingo, 3 de agosto de 2014

Rebento

Fotografia: Ivan Bueno
Não se abraça não
bicho nenhum ferido,
encantoado.

Por menos que queira,
se acuará,
te machucará.

As feridas
tão expostas...
outras tão impostas.

Dói por fora
e dói por dentro
a dor do dito rebento.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Santo, santo, santo...

Todos querem se fazer salvadores. Uns de almas, outros de corpos, outros de gentes, outros de bichos, mas todos querem, e querem fazer disso sua santidade imaculada, normalmente hipócrita. O fanatismo só muda de nome e categoria, mas é o mesmo aqui e acolá.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Paciência

A paciência não me habita mais
Deu as mãos à esperança
E saíram por aí... bem distante foram
Sucumbiram no nada

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Se, si, consigo...








Será que
Eu te toquei errado
Ou será que
Era você quem estava
Des
   a fim
      nada?

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Aforismos....

Onívoro
Os cães são mais calóricos, os gatos mais dietéticos. Me agradam ambos, sou onívoro.

Hein?
Freud explica... Freud implica?

sábado, 14 de junho de 2014

A mão e o porto

Se a mão pausa
no porto
em que navio nenhum
atraca,
é pausa inútil,
é porto morto,
é mão sem fim.

Se o fim
da mão
não é o porto,
mas a busca
de navio que atracaria,
encontrou-se
em lugar tardio ou precoce.

É preciso
dar um rumo,
um leme, um norte
pra essa mão,
em uma primeira
ou, melhor,
uma segunda demão.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Disto








O quão perto ou quão distante
Estaria minha mão errante
De te tocar a alma
De mudar o teu semblante?

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Brazil

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre/RS







Brazil, mostra tua cárie

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Re... volta e vai

Ao mesmo tempo que vem o amor
Vem o ódio
Ao mesmo tempo que vem o carinho
Vem a revolta
Ao mesmo tempo que vem o avanço
Vem a ré, volta
Vai e vem de sentimentos de alma, de vida
Ai de quem duvida

      É mesmo assim,
      Vai e vem, vem e vai
      Atenção
      Atento a ação!

quarta-feira, 21 de maio de 2014

É o que dizem...

É a porta larga que me entala pela goela
A abertura que me dizem por passar
É a bigorna que me bate no dedão do pé
A solução da botina que não entra

É deus no céu a cura dos males dessa terra
Que me dizem que devo encontrar
É uma igreja vagabunda, sorrateira e ladra
Onde me dizem a palavra vislumbrar

É o caminho não trilhado, espinhoso e fatal
A solução do que me dizem entender
É a estrada tortuosa, demoníaca e tentadora
Aquela mesma que me dizem encantar

Se o que gosto é pecado, engorda ou faz mal
É o que dizem que eu devo evitar
De restrições e castidades, santidades e véus
Dizem viver os pseudossantos da cruz

Credo em cruzes, que nenhum pai é ruim assim
Demonstram teses inconstantes a ruir
E na ruina se embasam pra se dizerem rocha
E desconhecem a interna xistosidade das almas

Ruem do que roem como se verdade fosse
Sem a capacidade suprema de dizer não sei
Desabam em lágrimas e apontam dedos
Para culpados da desgraça humana e de deus