sexta-feira, 22 de maio de 2015

Nota-se

Na essência da energia, sou rock
Na liberdade criativa, sou jazz
No refinamento de ideias, sou clássico
E na origem primeira, sou pop

Noto e anoto as notas de ouvido
Gosto da liberdade eclética de ousar
Não gosto do reto, linear
É preciso movimento preciso

Só que preciso é nem sempre necessário
Curvas ligam dois pontos sem reta
Posso passear por bons estilos
E cravar-me firme no que, ah, noto

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Do andar...

Andei por aí vivendo o pouco-viver. Agora ando por aí tentando, mas pouco sou visto nas sombras e undergrounds.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Voa seu voo

Voa, voa com leveza
Abre as asas e descobre o céu
Trespassa as nuvens e vai além

Voa, voa alto, vai
Não olha pra trás, apenas voa
Segue seu rumo ao alto

Segue em rota firme
Voa, voa firme e alegre
Voa em cântico esse voar

Que tão pouco voou
Enquanto a tantos tocou
Aqui nesse raso em que estamos

Voa, voa até pouso tranquilo
Voa pro descanso, voa
Voa bem, voa, bem

domingo, 10 de maio de 2015

Os cantos daí...

Mimi e Tia Elza / 2006
Hoje, dia de mesa cheia, charuto, quibe, feijão árabe, mijadra e tantas conversas, risos e comemorações. Mas a mesa que estaria cheia, hoje está vazia, silenciosa. O vento sopra e balança as folhas de papel. Pode-se ouvir o barulho minúsculo das teclas do notebook, a respiração do cachorro que dorme no chão, da gata deitada no bicama, o cantar de um passarinho numa árvore, a voz de uma criança das redondezas e o silêncio do ar. Ouve-se o céu, ouve-se do céu. Daqui, não o mar, mas seriam belas ondas a entoar seus versos de marola. As nuvens passam esparsas nesse dia ensolarado e rememoramos você, vocês, mães nossas que já foram daqui praí, logo ali, dizem ser. O interfone não vai tocar e nem haverão mesas emendadas pra que todos se sentem. Os corações ainda vibram cheios de amor e batem compassadamente por vocês. Os pássaros cantam felizes e em uníssono aqui, ali, acolá e, é provável, até mesmo aí. Feliz, mãe... feliz, mães. Não se concentrem nas lágrimas que escorrem, mas no amor que se carrega na alma. Feliz dia, feliz dias...

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Tenho dito.

Gosto de gente sem frescuras... Essa é minha frescura assumida!

terça-feira, 21 de abril de 2015

Das partes...

E eu que pensei que você tinha chegado... Mas não! Tinha partido, e tudo em pedaços miúdos demais pra se poder pensar em remontar.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Do pseudopoliticamente correto...

A forma de fazer, a intenção, o gesto, o dito, o falado... A intenção dada ao feito, a conotação dada às palavras, isso é o mais importante, embora, às vezes, invisível.

A vida ávida

Entoo mantras nas mantas que não mentem
Prazeres não tidos, amores não vividos
Entoo as dores e sofreres que iludem
Vida que não são só dor, andar que de fato é bom

Canto as canções do peito e da alma
Entoo os versos das cantigas do corpo
Vivo as emoções de hoje e outrora
Cato as coisas aqui e parto qualquer hora

Olho adiante com um bom olhar
Vejo cores, vejo cinza, antevejo vida
Olho adiante e aquém, olho aqui também
Vejo cores de um grande viajar

Sigo o seguir que se segue sem saber
Sigo o saber que nem se sabe ter
Olho com o olhar o que nem se sabe ver
E sorrio sorriso largo que mal se cabe dente

sábado, 18 de abril de 2015

Será?

Será que para fazer sentido
É preciso doer?
Para ter um quê que valha
Será preciso sangrar?

Será preciso machucar
Será preciso escorrer o tinto
Em meio a tanta imprecisão?

Chorar, gritar, doer,
Será necessário?
Necessário será ter
Uma dose de sadomasoquismo?

Será que por isso me poupo?
Será que por isso me pouco?
Será que por isso me puno?

Por que será que será
Que ando aí sangrando
Em versos e prosas?
Por que será? O que será?


Obs.:

Letra incidental da última estrofe “O que será (à flor da terra)” de Chico Buarque de Holanda.

Cinema hoje

Sou consciente do sofrer
Sou consciente do lugar
Inconsciente no querer
Transcendente no mandar

Sou paciente por se ver
Impaciente por se ter
Sou extrema unção no viver
Vivo sem extrema ação

Agoras e amanhãs são eternos
Ontens e hojes são vida
Ando querendo amanhã
Mas nunca chega, é hoje

Cenas repetidas de um filme
Cinema velho, pouco estoque
Revejo cena a cena
Revivi cada sensação

Películas que revestem o rolo
Projetor de luz fraca mas visível
Luz interna flamejante
Sofrer que se transforma em ser