- Não gosto do gosto da tua lingua.- Que isso?! Por que?
- Não sei, não gosto, e nem dos movimentos.
- Como assim?
- São desordenados, desconexos. Parece-me uma lingua em ataque epiléptico.
- Que absurdo! Por que sais comigo?
- Algo me agrada.
- Não o beijo?
- Não, nem o gosto da lingua.
- Do que gostas?
- Teu cabelo, teus seios, tua pele, os pelinhos dourados, a inteligência...
- Não gosto de jiló!
- O que tem a ver?
- Disseste que não gostas do gosto da minha lingua... É como jiló?
- Não, é gosto único, teu.
- Tão ruim?
- Não!
- Quero-te!
- Talvez te queira, mas ainda não sei.
- Depende da lingua mudar de gosto?
- Não, lingua não muda de gosto. O que muda, às vezes, com costume, é o paladar. Por hora está tudo com o gosto estranho.

+a+ser+aberta.jpg)

.jpg)

.jpg)
