domingo, 6 de novembro de 2011

Pausa

Foto: Piano Surdo - Tatiana Blass
O pianista tocava a sonata
Como se estivesse ao luar
Só ouvia a si mesmo
Mergulhado em partituras
Tornou-se ébano e marfim
A lua cheia minguou
A bela sonata acabou
O pianista, de pé, mirou o nada
Estava sem rumo, sem luz
Já não se sentia mais música
E o silêncio pairou



          Às vezes é preciso pausa... às vezes a pausa se impõe por si mesma.

Vira-latas

Fotografia: Ivan Bueno


Há quem crie cães, há quem crie pedigrees... Há quem cultive relações humanas, há quem valorize posição, status, influência, sobrenomes, raças... Há quem seja gente, há quem apenas pense ser.

sábado, 29 de outubro de 2011

Sentido

Costumam me perguntar se sou de direita ou de esquerda... Oras! Fazemos análise exatamente pra tentar saber se temos algum sentido.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Difícil agora

É difícil segurar o grito da tormenta
É difícil estar no olho do furacão
Sentir-se de mãos atadas, tripas furadas
Ver-se meio tudo-fragmento, meio nada

É difícil ver-se indo embora sem ir a lugar algum
Sentir o arroio que não mata a sede
Que não deixa navegar, que encalha, não flui
É difícil caminhar num escuro que não intui

          Agora o passo quer acelerar
          Agora as pernas não respondem
          Agora já nem é agora
          Agora já foi, já não é, já era

domingo, 2 de outubro de 2011

Lançamento do livro Empirismo Vernacular

Convido a todos para o lançamento do livro EMPIRISMO VERNACULAR que nasceu a convite de Marley Costa Leite, da Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia/GO.
O lançamento se dará em 05 de outubro de 2011 no Deck Parking 01 - Sul, no Flamboyant Shopping Center, em Goiânia/GO.
Promoção da Secretaria de Cultura em parceria com a PUC-GO (Pontifícia Universidade Católica de Goiás) e da Editora Kelps.
















A coleção é composta de 183 títulos de diferentes autores, dentre eles o presente livro aqui anunciado, podendo todos serem adquiridos separadamente.












quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Inquietude

Estou inquieto... tão inquieto e agitado que me vejo quieto, imóvel, inerte, esperando que a inquietude passe ou mude de forma.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Dia mais bonito

Hoje o dia é mais bonito
Hoje recolhi meu grito
Comecei o rito de falar
Comecei o rito de andar

Hoje o dia é mais bonito
Hoje teu olhar eu fito
Comecei de fato a te falar
Comecei de fato a te tocar

Hoje o dia é mais um rito
Onde é seu olhar meu grito
Começando de fato a conversar
Começando de fato a farfalhar

Hoje o dia é mais bonito
Porque hoje és a mais bonita
Porque hoje te fito o corpo
Porque hoje é de gozo o grito

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A história perfeita

Era uma vez o melhor contador de histórias do mundo... e ele viveu feliz para sempre.
FIM
É claro que ele encontrou sua princesa, teve saúde, paz, prosperidade, muitos amigos e morava num lugar perfeito, afinal é a história perfeita.

sábado, 10 de setembro de 2011

Manchas do tempo

E a junção dos fatos não corresponde às fotos
Manchas do tempo
Traças a corroer as revelações
Marcas do vento
Troços a corromper as reuniões
Onde houvera amor

Laços fraternos a se desfazer em ódio puro
Cheio de afeto
Afetado pelo rancor e pelo desprazer
Cheio do infecto
Do normal pútrido que toma o bom
Mostra-o podre também

Nós e maçarocas, emaranhados de fios tênues
Alguns a se arrebentar
Nós em meio aos nós, gritando
Dores da falência
Órgãos múltiplos dando sinais de fraqueza
Órgãos como de igreja

E as junções dos fatos não servem à foto
Amarelou-se o tempo
Desnudou-se o templo com o sujo
Escureceram a luz
Apagaram-se as chamas de quem chama
E então me fui cabisbaixo, só

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O dia

O dia não me promete nada,
nada espero do dia.
De dia à noite, um nada espesso
promete fluir, vazio e denso

Até se encher de
        não sei quê,
        não sei onde,
        não sei como.

Até eu me encher...