Emoções que sobem e descem como uma bolsa de valores frenética e descontrolada, cheia de especulações, sujeiras claras ou camufladas, apostadores vorazes e/ou temerosos. Assim é a alma humana, por isso assim é a vida, por isso é assim a bolsa de valores. A vida, suas entidades, suas instituições, suas religiões, suas crenças, suas decisões obedecem à natureza humana. A podridão é inerente ao ser humano, por ser orgânico, por ser vivo, por ser carbono, principalmente. Com o homem, Deus também apodrece, Jesus também faz de seu sacrifício inóquo, sem valor, sem sentido, pois o homem carece de sentido e direção. Corre para cá e corre para lá. Quer ter certezas e às vezes as cria momentaneamente, até se dar conta de que não há certezas, de fato. Poder-se-ia dizer que "a única certeza de que temos é a morte", mas será isto verdade? Na melhor (ou pior?) das hipóteses, sabemos que vamos morrer, mas morrer significa o que? Morrer como? Morrer para o que? Já não somos um tanto mortos? Vamos, vocês que lêem, façam suas apostas nesta bolsa de valores, mas não me peçam garantia de investimentos.sexta-feira, 12 de junho de 2009
Bolsa de Valores
Emoções que sobem e descem como uma bolsa de valores frenética e descontrolada, cheia de especulações, sujeiras claras ou camufladas, apostadores vorazes e/ou temerosos. Assim é a alma humana, por isso assim é a vida, por isso é assim a bolsa de valores. A vida, suas entidades, suas instituições, suas religiões, suas crenças, suas decisões obedecem à natureza humana. A podridão é inerente ao ser humano, por ser orgânico, por ser vivo, por ser carbono, principalmente. Com o homem, Deus também apodrece, Jesus também faz de seu sacrifício inóquo, sem valor, sem sentido, pois o homem carece de sentido e direção. Corre para cá e corre para lá. Quer ter certezas e às vezes as cria momentaneamente, até se dar conta de que não há certezas, de fato. Poder-se-ia dizer que "a única certeza de que temos é a morte", mas será isto verdade? Na melhor (ou pior?) das hipóteses, sabemos que vamos morrer, mas morrer significa o que? Morrer como? Morrer para o que? Já não somos um tanto mortos? Vamos, vocês que lêem, façam suas apostas nesta bolsa de valores, mas não me peçam garantia de investimentos.
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segunda-feira, 8 de junho de 2009
Teste Empírico
O dia transcorreu como transcorre quase todo domingo: poucas atividades, uma boa dose de preguiça, boa companhia, algum azedume de outras companhias (não menos queridas), visitinhas esperadas, um filme em DVD, galinhada de domingo, pizza fria de sobra do sábado à noite, Coca-Cola, um friozinho raro aqui no Planalto Central, um pouco de música... Domingo, enfim.
A reflexão faz parte do domingo, pois faz parte da semana de segunda a sábado, e domingo não fica de fora, pois nunca estou de folga de pensar. Transformações, mutações, metamorfoses vêm ocorrendo, ainda que possam parecer pequenas ou lentas aos que olham de fora. Não são, e só eu sei. É o que mais importa, também sei.
Meu mundo se cerca de música e cores. Música que ouço e procuro produzir; cores que eu admiriro e procuro fotografar e também letras, palavras, parágrafos, capítulos, livros, estantes cheias e o falar.
O coração tem pulsado bem, no ritmo dos melhores bateristas do mundo. Taí a música de novo, ritmada, felizmente. A mente, que não mente, só omite, vai relativamente bem. Hipócrita aquele que disser, com segurança absoluta sobre sua mente, que sua mente não mente e que está cem por cento. Nunca! Nossa mente pode estar, no máximo, sob controle. Cem por cento é coisa de idealismo utópico que nem eu, teoricamente exato, aceito.
O domingo já se foi, passa da meia noite e já é segunda. O sono já pega as pálpebras e puxa para baixo, a vontade já me pega pelo braço esquerdo e me puxa para a cama com carinho. Durmo ouvindo música.
O repertório de hoje é interessante: Nando Reis, Paul McCartney e Queen + Paul Rodgers. Tocam três CDs e eu já estou em outros mundos mentais, sonhando, viajando ou, talvez, me encontrando mais.
Arrivederci a tuti voi, amici!
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sexta-feira, 29 de maio de 2009
Tristeza Neurológica (ilógica) de um Psiquiatra
Na sala de espera de uma clínica de uma otorrinolaringologista e um fonoaudiólogo, especializados em deficiências auditivas e distúrbios de equilíbrio, acompanhava duas pessoas e, como elas, aguardava.
Do nada aquele senhor de boa aparência e aparentando ter seus cinquenta e poucos anos começou a falar de si mesmo para todos naquela sala de espera. Uma espécie de choque parece ter tomado conta das pessoas, pois somos todos tão despreparados para lidar com o diferente e o inesperado. Ele falava com todos, como se quisesse prestar um testemunho. Pra ele eram todos estranhos, e não faria a menor diferença se houvesse ali algum conhecido, pois ele não saberia.
Relatou que seu cérebro havia sofrido uma atrofia na área da memória e que agora não se lembrava de mais nada, praticamente, a não ser da mãe e parentes próximos. O problema foi percebido em 2005, ou seja, há aproximadamente 4 anos. Era (é?) psiquiatra, mas não reconhece sequer seus colegas de clínica médica. Irônica a vida! Ele relata, mas ninguém se manifesta; parecem temerosos, como se ele fosse louco.
Presto mais atenção, aceno com a cabeça, ele parece se sentir acolhido (ou será impressão minha?), mas de qualquer forma fui o único a dar retorno, a conversar, a indagar, a tratá-lo como gente, como ser humano, e não como um louco. Quem é louco, afinal?
Ele desaprendeu tudo, até mesmo a ler. O acomete o que, no meio de saúde, se chama de afasia, ou talvez seja esquecimento total. Afasia é não ligar o nome de algo ao objeto: por exemplo, não ligar que cadeira é a palavra que designa o objeto no qual está sentado.
Perguntei a ele sobre a infância, ele demonstrava necessidade de conversar, e ele, ouvindo mal (era por isto que estava ali), solicitou ajuda à mãe, uma simpática senhora que deve estar com seus setenta e alguns anos. Ela lhe repetiu "Infância" e ele retrucou "Infância? O que é isso?". Ele não só não se lembra da sua infância (a mãe lhe explicou, em vão), como tampouco se lembra do que significa o termo infância, criança etc.
Fiquei ali, dando atenção, que era o que ele carecia naquele momento, e ouvindo intrigado. Intrigado com essas tantas interrogações que a vida nos coloca na frente. A vida é cheia de interrogações que tentamos, às vezes, buscar responder com a fé, com Deus ou atacando Deus, tanto faz. A busca é humana, seja com fé ou com o "negativo" da fé. O negativo da foto não é também a foto? Isto pra quem se lembra dos tempos do negativo.
Aquele homem era um psiquiatra casado e, ao que parece, bem sucedido até 2005. Agora é um homem sem profissão, quase sem identidade, com necessidade de falar de si, de seu distúrbio raro, sobre o qual a medicina, que ele próprio praticava, nada sabe dizer e nem resolver. A ciência dele de nada serviu pra salvá-lo, independentemente de quantos ele tenha ajudado. Irônico momento da vida, cheia de ironias.
A ironia humana tem por objetivo ou agredir ou fazer pensar, atiçar a mente. E a ironia da vida? Poderíamos pensar o mesmo dela? Levaria a que?
Fiquei pensando se ele, o ex-psiquiatra, sofre. Talvez não, já que não tem memória. Mas fiquei em dúvida, pois vi nele uma enorme necessidade de se explicar, de falar de si. Isto é normal a todos os seres humanos.
Acompanhei a consulta rápida de uma tia, voltei em menos de 5 minutos à sala de espera, me despedi dele, e ele já nem sabia quem eu era ou que havia conversado comigo.
O que são esses desafios que a vida nos impõe, afinal? Haverá alguma explicação lógica ou algum sentido nisso, ou teremos que aceitar a falta de lógica da vida? Não sei! Penso, uso minha memória e vou adicionando fatos, dados, ficando intrigado, às vezes revoltado, às vezes comovido, às vezes irado. Mas seja como for, minha reação de nada importa. A vida é como é, gritemos o quanto quisermos.
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quinta-feira, 28 de maio de 2009
Noite
A noite chega, o sono também, mas bate à porta aquela coisa incômoda chamada de insônia. Nome incorreto, aliás, para definir tal estado, pois o sono cá está, mas a capacidade de relaxar e dormir é que deixa a desejar.
Ao invés de insônia, neste caso, sugeriria algum neologismo que minha criatividade sonolenta se recusa a ajudar a criar. Talvez "sônia prejudicada", e no caso, pela ansiedade. Sônia, o oposto da in-Sônia. E que as Sônias me perdoem.
Ao invés de insônia, neste caso, sugeriria algum neologismo que minha criatividade sonolenta se recusa a ajudar a criar. Talvez "sônia prejudicada", e no caso, pela ansiedade. Sônia, o oposto da in-Sônia. E que as Sônias me perdoem.
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