domingo, 8 de maio de 2011

Negativo

Ela estava olhando os negativos das fotos,
E isto não podia ser positivo.
Havia inversão das luzes,
Deformação das formas,
Uma séria (des)ilusão.

Ela via a luz convertida em escuridão
Enquanto o breu se convertia em luz.
Um certo contrário, um inverso,
Um prejuízo do lucro do universo;
Um ilusionismo perigoso, se desconhecido.

Estava assolada, sem ver figura real,
Sem saber onde estava a verdade e o surreal.
Pode-se ter tudo distorcido num átimo
E o negativo assim visto
Não é mesmo positivo.

Era preciso preservar as figuras
E ela havia se perdido de vez vendo os negativos.
Perdeu a própria autoimagem,
Perdeu e fez que perdessem
Até mais... viva ilusão.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Que pena






No desespero da necessidade e da fome, matou a galinha subitamente e a comeu, ainda que com pena.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Da omissão





As pessoas se omitem muito diante das coisas mais fúteis, frívolas e absurdas... mas não quero me comprometer afirmando isto.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Mal passado





Ando passando mal
Por isso as roupas tão amarrotadas
O rosto franzido

sábado, 2 de abril de 2011

Esquecimento

Este mundo, que está passando pelo dito aquecimento global, é um mundo bem "fresco"... Alguém se lembra?

quarta-feira, 30 de março de 2011

Impostura





Era uma criatura divina
Sempre foi uma grande promessa
E que jamais se cumpriu

quinta-feira, 24 de março de 2011

Da geração

E então, onde está
a mão que me apoiava,
o olhar que me sustinha,
a voz que me acalmava?

Onde estou eu
sem tudo isso?

Quem sou eu
quando intento tento
me descobrir
naqueles que me geraram?

Quem deixo de ser
quando tento
me (re)inventar
e quem de verdade me torno?

domingo, 20 de março de 2011

Desfaçatez

Não espero mais que o calo se desfaça
Disfarço os pés, deixando-os limpos
Olho para o mundo imundo e me calo

Não creio mais que a farsa de desfaça
Em meio a tanta desfaçatez
Resta-me engolir a angústia de existir

Não tenho mais esperanças em ter fé
Deus se mantém calado no todo
Ou fala grego, onde outros deuses reinam

Palidez




Comecei a morrer
Faz tempo
Agora vivo assim
Pálido

quinta-feira, 17 de março de 2011

Mergulho (por Aline Morais)

Silêncio!!!
imploro imóvel enquanto assisto o tempo empurrar as horas ladeira abaixo!
Silêncio!!!
suplico atônita enquanto abafo os ouvidos de medo!
Silêncio!!!
ordeno desesperada ao que resta de nós...
ao pedaço que amo
ao pedaço seu que me interrompe com o mesmo sorriso!
Silêncio!!!
mordo a boca, quando a voz me escapa em melodia, tema de alegria, nossa musica!
Silêncio!!!
petrifico enquanto escovo meus cabelos prateados que de ousados escapam meu brilho!
Silêncio!!!
o som do mundo me afronta e aponta minha dor
mergulho em notas vazias
som oco
me calo aguda!
não há pausa que acuda!
lembranças frias!

Obs.:
Poema de Aline Morais, do blog Periódico Subversivo feito em homenagem a uma pessoa que amo muito.