segunda-feira, 12 de abril de 2010

Do amor que se vai

O que é pior quando o amor se vai? Ah, esse balancete não fecha, não. Não fecha e não fechará nunca. Quando um amor se vai, tudo é ruim, e do que é ruim, tudo é pior.
Obs.:
Este aforismo surgiu de uma postagem do Bichodesetecabeças, da Gê (http://www.bichodesetecabecas-ge.blogspot.com/), e de um comentário meu. Leiam lá.

domingo, 11 de abril de 2010

Aforismos de domingo

DO PODER DA ORAÇÃO
Como é grande o poder da oração! As pessoas oram, oram e oram, incessantemente, e têm suas preces ignoradas, esquecidas ou renegadas a um baú "divino". Ainda assim, diante do silêncio de respostas e atendimentos, continuam a orar, orar e orar. É muito poder!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Indiferença

E da beira da piscina
Contemplou o casal a nadar
Em conjunto

Água espirrando
Pernas e braços (de)batendo
Tudo junto

Faltava compasso
O ritmo atravessado atravessava
Tudo afundava

Da beira da piscina
Observava que não era nadar
Mas ia fazer nada

E o nadar sem nado
Afundou até o fundo desoxigenado
E o silêncio pairou

Impávida levantou-se
Saiu da beira da piscina para fora
Apoderou-se do alheio

Voltou para casa
De mão cheia de coisa adquirida
Por mera indiferença

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Contemplação

Aquela figura frágil que foi forte, que foi pai e mãe, que foi instrução, construção e desconstrução, prumo e desaprumo. Vejo aquela figura perdendo os traços de fortaleza e sucumbindo ao tempo, aos maus tratos do tempo, dos eventos da vida, de pessoas insensíveis que sempre encararam suas fragilidades (mistas com força tremenda) como pura e mera "frescura". As pessoas são extremamente cruéis quando se trata de apontar o dedo na direção dos outros. Ouço seu choro desesperado todos os dias, em quase todos os cantos, e sei que a despedida final não deve tardar muito. Se seguir os passos dos antepassados, pode até ter mais 10 ou 15 anos, sabe-se lá, e chegar perto dos 100 ou até lá. Mas o sofrimento já é, em muitas formas, deixar de viver, morrer um pouco. Ouço seu choro, ouço impotente, mas atingido, fragilizado, meio igual, meio diferente, meio reprodução, meio criação, meio velho, meio novo. Ouço a voz do ventre, ouço o sussurro da morte e a tragédia estampada numa vida de pessoa forte, vista como fraca, tantas vezes criticada e ridicularizada, até. Incompreendida, sempre! Vejo dedos e mais dedos apontados e pessoas que a cumprimentam como um resto qualquer, como uma sombra que só merece algum respingo de respeito fingido por educação a mim. Não, não peço por mim. Aliás, normalmente não peço, me calo, apenas assisto. Não tenho o poder de educar as pessoas e abrir-lhes os olhos. Tais pessoas, incapazes de enxergar uma pessoa idosa, fragilizada e que não é o requerido símbolo de positividade (pois foi-lhe impossível ser assim) é um ser humano, demasiadamente humano, como aquele que aponta o dedo sem ver os dedos que tem apontados sobre si. Dói-me ver tudo isto, dói-me sentir a impotência quase que total, dói-me não poder ser mais e ver suas preces serem desprezadas, simplesmente lançadas ao vento, sem que nenhuma sequer, nem a mais ínfima, seja atendida. Dói olhar a vida, em seu epílogo, frente a frente... Mas sempre olhei, não por escolha, mas porque ela sempre saltou diante de mim, inescrupulosamente, acintosamente, abusadamente. O choro ecoa pelas paredes, cantos e anos e não terminará de ecoar e se fazer ouvir nem com o fim inevitável, pois já entranhou minh'alma. Ela, que chora, não é frágil, só é humana. É admirável, esta mulher! A vida é que não foi admirável para ela...

Universo ao meu redor


Agora há pouco fui ao blog "Pensa que cada dia pode ser o último", de Pedro Paulo, e me deparei com uma indicação de um vídeo muito tocante e que faz refletir bastante, acompanhado por belas imagens e um texto atribuído a Carl Sagan.

Vale a pena assistir, como verão.
Daí surgiu meu comentário, que aproveito para dividir também aqui:

"Em toda dicotomia do universo, somos um ponto e um universo... muitas vezes um universo de contradições. E em cada um deste pequeno ponto azul, outro universo. Daí aproveito para parafrasear Marisa Monte no título de seus CDs "Universo ao Meu Redor" e "Infinito Particular". Que se desse importância a ambos, que se visse que não há linhas dividindo países, continentes, mares, oceanos. A grande linha divisória talvez seja a mesquinhez do pensamento humano."


Visite o blog de Pedro Paulo em
http://hermeticidadeconcisa.blogspot.com/ e conheça mais do que ele escreve, pensa e posta. Vale a pena.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Presente poético

Recebi de uma prima
aforismos e poesia.
Mandei adiante, dediquei,
presenteei como queria:

"Às minhas amigas poetas,
Um pouco de Clarisse
Para ser lido Lispector.
"

Questionamento

Perguntaram-me se ela ainda está "na ordem do dia". Como estaria, se nem mesmo o dia está em ordem?

Tomando satisfação

Tenho dirigido perigosamente
por estradas tortuosas
com meu carro "conversável".

Tenho passado propositalmente
perto demasiado das margens
que remetem aos maiores precipícios.

É um desafio à vida,
um chacoalhão,
uma tomada de satisfação

de quem quer, da vida, uma posição,
uma opinião,
uma melhor sinalização,

uma direção a seguir,
guarda-corpos mais seguros,
estradas mais bem cuidadas,

caminhos mais agradáveis,
destinos mais definidos.
A vida se mantém calada,

não responde a nada.
Parece que está em standby!
Questiono-me até se viva a vida é.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A pausa

E de repente a pausa
P  a  u  s  a
Voltará?
Tum tum...   t  u  m   t  u  m...
P  a  u  s  a
Não, não voltará!
Acaba assim
Pra você
Pra mim
Ser
Tem
Seu
f
i
m

Sensação diurna









Encarava bravamente o dia,
o dia também me encarava
severamente
com ares ameaçadores
e com sua célebre frase:
"Se estiver lhe parecendo bom,
passo rápido;
se estiver lhe parecendo ruim,
não passo!".

O dia e os dias todos são assim,
normalmente.
Às vezes um bom relâmpago,
outras uma péssima lesma.