Na montanha russa da vida, ainda que tenhamos medo das quedas, saber apreciar a paisagem do alto é coisa sábia. É valorizar o fato de estar, ainda que momentaneamente, no alto.
domingo, 25 de julho de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Inquisição
Uma visão perfeita, celeste, vinha de cima e me chamouOlhava-me o céu inquirindo-me da vida
Calado lhe olhava junto aos pássaros
Queria eu um voo, uma visão altiva, menos repetitiva
Olhava-me o céu repetindo-se na pergunta
Desafiando-me a responder o irrespondível
Irresponsável mania humana de tudo querer saber
E, nesta mania, constrói, destrói, mói, se dói
Pássaros na árvore miram o céu, miram a mim
Olhar inquiridor, estranham-me a falta de penas
Sentem pena por meu caminhar, compreendem céu
Voam seus voos belos e voltam à bela árvore
Nunca pararei de olhar o céu, de olhar as aves
Nem de questionar o irrespondível viver
Pois sempre serei inquirido pelo céu
Sempre terei a compaixão das aves
Tentarei, não como Ícaro, voar meu voo altivo
Ver o mundo de cima para entender-me pequeno
Ver-me no alto para entender-me baixo
Ver-me pássaro para entender-me humano
As nuvens passam, os pássaros aquietam-se pousados
A árvore inerte, só em aparência, fica imóvel como eu
Mas estamos vivos, eu e ela e também o céu
Que insistirá eternamente a me inquirir até o fim
Obs.:
Poema inspirado nesta bela foto tirada por Yani Rebouças, Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, neste ano de 2010.
Agradeço a Ana, do blog (In) Cultura, de Portugal, pela publicação deste poema em seu espaço cultural. Vocês podem conferir pelo link: http://sonhar1000.blogspot.com/2010/07/um-poema-do-outro-lado-do-mar.html e vejam muita coisa interessante que há por lá.
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domingo, 11 de julho de 2010
Resto e nada
Do vinho que tomavaSobrou um resto no fundo da taça
Nem percebi
Deixei de lado, segui
Quando a sede de vinho voltou
Vinho não tinha mais
Questionei-me da taça deixada
Era então secura e nada
Obs.:
Poema inspirado na frase "É impossível não rebuscar os porquês de o relacionamento ter chegado ao fim se ficou um pouco de líquido na taça." da postagem "Quando os ex voltam" do blog Afrodite Para Maiores de autoria de Luciana P.
Link: http://www.afroditeparamaiores.com/2010/07/por-que-os-ex-voltam.html
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sexta-feira, 9 de julho de 2010
Renascença
A vida nos força a sermos como uma fênix em muitos momentos. Quantas vidas tem uma fênix? Não sei, mas o que vale é voar alto. Sem voo, sem caça; sem caça, sem vida; sem vida, sem voo. E, ah, sem voar não se vive, mesmo.
Obs.:
Este aforismo surgiu ao comentar a postagem Fênix do blog da Sylvia Araujo, Abundante-Mente (leiam no link: http://abundante-mente.blogspot.com/2010/07/fenix.html). E obrigado, Sylvia, pela inspiração.
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quinta-feira, 8 de julho de 2010
À deriva
Barco à derivaDeriva-se de que?
Vida de barco
Perdido em oceano
Não é azul?
O céu é tormenta
Tudo atormenta
Ondas violentas ocasionais
Marolas raras
Há, mesmo, tormenta?
Barco à deriva
Muita água, muita sede
Muitos peixes, muita fome
Horizontes amplos
Destino sem rumo
Barco à deriva
Há tormenta no céu
Acima encabeça
Pensamentos
Âncora... Terá fundo?
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quinta-feira, 1 de julho de 2010
Vôo a lado
E quando a grande descobertaSe desperta em quimera
Mudar o mundo, a vida, quem dera?
E a descoberta se encobre
Pouco ou nada se revela
Sob os panos, entre as núvens, cegueira
A busca atada em desencontro
O encontro revelando-se fim
A vida a se desenrolar como novelo de lã
E solta, a linha se emaranha
Nós, maçarocas, tudo atado
Ao por a cabeça no travesseiro, desnorteio
Som ligado, conto carneiros
Travesseiro como pedra
Pouco dormir, pouco relaxar: pesadelo só
O dia seguinte é gemido, é dor
Prenúncio confirmado, tempo perdido
Vôo alado... Paz?
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A flor e o tempo
Tiro desta flor a pétalaUma só para cheirar
A flor se desfaz, fico incapaz
De repor-lhe a vida...
O dedo furado no espinho, sangra,
E a flor que era rosa vermelha
Murcha, morre, some
Curvada ao tempo
Que desidrata,
Desata
Mata
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Salva... ação
A salvação, se não vem dos céus,Tampouco vem dos réus
Ou de uma Justiça maiúscula e diminuta, injusta.
Virá da consciência,
Da latência, da continência?
Salvação pode ser pura teoria.
Mundo de religiões, conflitos, gritaria!
Onde seguir rumo sem perseguição sombria?
Não viver de sobras
Ou de faltas latentes, de vertentes?
Salvação é ilusão, loucura.
O dedo que nos aponta e acusa, é nosso!
A loucura pode ser o caminho da sanidade;
O inverso pode não ser o avesso,
Mas um verso de um poema-nós.
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