domingo, 6 de maio de 2012

Perpétuo

Há prisões que são perpétuas, ainda que se decrete liberdade... É que há coisas que não funcionam por mero decreto.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Entranhas






Minhas estranhas entranhas do espírito
Buscam respostas pra perguntas
Que nem sabe fazer

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Mantras





Tenho entoado mantras que nem eu entendo e que me trarão graças que nem mesmo sei se me farão sorrir, mas entoo.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Coração-angústia


Meu coração bate como o que desaba
E nem sei dizer se é amor ou apenas desespero
Ando em zigue-zague, ando e desando
Ato e desato cada ato que tenho ou tive
Ato e desabo cada aba que fiz ou que desfiz

Meu coração sofre de angústia que se aperta
Não grita pra ouvidos, mas resmunga meu sentir
Tento uma saída, mas nem sei onde entrei
Labirinto de cartas desmarcadas... Que cartas?
Se consultar o Tarô o que me dirá? Confio?

Meu coração bate com vontade de viver
E vivo com vontade de entender esse prosseguir
Cambaleio nos passos, às vezes, e me faço
Refaço, retoco, desfaço e vou criando algo
Algo que ainda não sei como findar em paz

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Do que se cumpriu

A vida parecia impossível de se cumprir, daí então ela se fez morte para que fosse cumprida, embora a razão ainda fosse lacuna.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Medidas

Foto: Ivan Bueno
Não me faça promessas
Traga-me os milagres
Delas estou farto
Deles carente

Promessas são palavras ao vento
Milagres são desejos do porvir

segunda-feira, 19 de março de 2012

Espaço

A vida às vezes sorri
Às vezes rosna
Mostra os dentes
Mostra as garras

Mostra todas suas faces
Deuses, demônios, querubins

E quando a vida rosnar
Saberei que protege território
Passo adiante num passo
Protejo meu espaço

quinta-feira, 15 de março de 2012

Partida


André, eu e tia Zina (então com 90 anos) - 2002
A dor não avisa quando vem
Nada, ou quase, é capaz de prever
Dor que chega e destrói partes de nós
Revolve as entranhas, alimenta os gritos
É o choro quem mostra a dimensão da perda





P.S. Em homenagem ao meu primo-irmão André Teodoro Ervilha, que hoje faleceu aos 50 anos de idade e a quem tanto devo. Saudades sempre.

sábado, 10 de março de 2012

Desencontro

Foto: Cláudia de Sousa Mendonça - Seattle, USA
Sou um peixe nadando no ar
Sou uma cobra de pernas
Estrangeiro em meu país
Forasteiro na própria terra
Morador em casa alheia

Sou peça que não se encaixa
Bola com arestas
Roda que não gira

Sou vida ainda por viver
Amor ainda por amar
Homem ainda por crescer
Sou busca e desencontro
Perdição sem mapa

Aplauso

Foto: Ivan Bueno







O meu aplauso mais sincero e tocado ocorre em silêncio, imóvel, contemplativo, e com uma lágrima escorrendo pelo meu rosto.