terça-feira, 24 de março de 2026

Não sei...

Imagem: Internet
Não sei chorar baixinho.
Meu choro é grito, protesto, soluço.
É choro forte,
por isso, talvez, o conhenha,
por não saber chorar baixinho.
Quando sai, sai grito, sai urro,
sai tanta dor que me parece
desvanecer qualquer cor.
As lágrimas não escorrem,
não com suavidade. Não é choro manso,
nem tampouco resignado,
antes revoltado;
protesto que atesto
de tanta coisa que contesto
nesse contexto de mundo,
nesse contexto de vida,
nesse contexto de ser... E ser o quê?
Com tantas exigências,
contendo e retendo carências...
Ser o quê?
O que o mundo, com sua podridão, espera?
O que a vida, ilógica, nos impõe?
Não! Não sei.
Grito, clamo numa voz que ecoa
sem resposta,
e fico rouco ou, talvez, pouco,
e me calo, pois não sei
chorar baixinho.
Chorar sereno, não sei.
E calo, e vivo, e engulo,
mas a revolta é viva e o grito,
vez por outra, sai...
E sai também o suluço
com um choro sonoro,
forte, eloquente, de morte... Não! 
Isso é vida em crescer.

Ivan Bueno
11/09/2004 (00:18)

domingo, 22 de março de 2026

Inquietude...

Imagem: Internet

Há um algo em mim
que, em inquietude,
não me quer a dormir.

E há um outro algo em mim
que, se a dormir, faz-me,
do sono e do sonho,
não querer despertar,
não querer retornar.

Mas se, num lampejo, acordo,
ainda que com muito sono,
me obrigo, sem querer,
a me levantar, e agir,
e fazer coisas, viver...

de cá ou de lá,
e crescer.