sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Civiliza






A civilização é a manifestação máxima do retrocesso humano.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Ácida de

Minha cidade é assim, tumultuada, nebulosa, cheia de tempestades e surpresas. Pode construir ou destruir. Cidade ácida, que desrespeita vontades individuais e faz da coletividade um amontoado de concreto.
Minha cidade é cheia de ruas e opções teóricas, é cheia de gente, cheia de ruas repletas de solidão e caminhos que serpenteiam a rumo nenhum. Ela não dá dicas, só confunde, e não é jamais conduzida e nem aponta o bom caminho. Os maus caminhos se encontra até sem querer.
Minha cidade é um tumulto de trânsito e buzinas que enchem a cabeça de sons, gritos e lamentos. Há também beleza na minha cidade, mas me parece pontual. A geral visão e vivência da cidade enche os olhos de desigualdades e revoltas. Minha cidade é grito de alerta, mas também pedido de socorro, pedido em código Morse. Ouve-se, mas poucos entendem o SOS e seguem como se nada tivessem a ver com aquilo, como se nem fizessem parte daquilo, como se também não fossem uma célula da cidade, um neurônio. E são!
Minha cidade é repleta de zumbis que não morreram. Diferentemente dos filmes, tentam aparentar inteligência, caminham normalmente e se fazem de normais. Devoram-se por outros meios, morrem de outras formas, aterrorizam com ares de trivialidade. Tudo pulsa, até em milhares de pulsos que vão se apagando, parando de pulsar.
Minha cidade é um amontoado de energia, causando choques mortais e desperdiçando seu potencial. Energia derramada como raios de tempestades, que queimam, derrubam, às vezes matam ou dilaceram. Minha cidade é a cidade-eu, é a cidade de todas as pessoas e tempos verbais: tu, ele, nós, vós, eles. Mas é também a cidade vista e invisível, que as pessoas veem mas passam adiante como se não vissem.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Boooo...

Entrou pela porta da frente, com tapete vermelho estendido e todas as honras de recepção, mas saiu sorrateiramente pelos fundos, pulando o muro, roubando um livro e sentimentos. Deixou cair do bolso sementes de decepção. Sumiu.

Diálogo

Fotografia: Ivan Bueno




Às vezes converso de igual pra igual com meu cachorro. Ele me olha profundamente nos olhos e parece me compreender plenamente. Mas o preocupante é que já eu não o entendo na plenitude, só admiro.

Con... clave

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre/RS
Que é isso que me move
Som, tema, tom, nota
Se a pele está dormente
Se a alma está doente
Me move ainda o som
Nota-si

Me faz vibrar, me faz sentir
Como se não dormente
Como se nem doente
Sentindo movimento sem mover
Me move ainda o som
Nota-mi




Obs.:
Este poema também está publicado no blog Po-ética, de Tonho Oliveira. Confiram!

domingo, 13 de janeiro de 2013

Puerilidade

Tenho medo de acreditar na paz e ser obrigado a viver em realidade de guerra e caos.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Conceito

Civilização é o processo de distanciamento entre o ser humano e a natureza, sendo esta destruída e aquele incapaz de se enxergar como parte dela.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Dia e noite

Foto: Arild Heitmann


Dia e noite
Se beijam todo dia
E nesse encontro
Se faz aurora

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Escrita II

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre/RS





Percebi minha mão rodeada de noite, foi então que tomei uma caneta iluminada pra poder pintar estrelas.

(com a mão que tiver à mão)







Obs:
Este aforismo surgiu na sequência do anterior, assim "impensado", como uma consequência de antítese ou antídoto, também inspirado pela arte de Tonho Oliveira dos blogs 6vQcoisa, Po-ética e Arquitetonho
.

Escrita

Arte: Tonho Oliveira - Porto Alegre/RS






Quis escrever uma página iluminada por estrelas, mas percebi minha mão carregada de noite.








Obs:
Este aforismo é o resultado de mais uma parceria com o artista de Porto Alegre, Tonho Oliveira. A postagem também pode ser vista no blog Po-ética.